Por Vander Lúcio Barbosa
Por décadas, o futebol, assim como a política, foi regido pela paixão. Mas os tempos são outros e até seria desnecessário falar no assunto, caso certos vícios já tivessem deixado de existir.
Política hoje é ciência e profissionalismo, assim como é o futebol nos times de sucesso. A paixão existe, mas não é protagonista dentro de um planejamento administrativo sério.
No mundo globalizado, com os extraordinários avanços da comunicação, a gestão profissional é regra. Planos principais e de contingência, a curto, médio e longo prazo, baseados em estudos e na observação do que acontece ao redor, feitos por técnicos especializados, dentro de uma equipe multidisciplinar, são o mínimo a ser feito por qualquer organização. Isso garante visibilidade aos atletas e atrai empresas interessadas em vincular suas marcas, ou seja, renda para o clube.
Fazendo a lição de casa na administração é possível ter uma boa folga de caixa para manter um plantel rico e coeso, sem dissabores primários, como o de não poder pagar os atletas.
Mas o que vemos por aqui ainda são dirigentes voluntários à frente de clubes, tapando buracos e apagando incêndios, numa agonia disfarçada de trabalho, como se sofrer fosse prova de esforço e dedicação. No final, uma boa recompensa é escapar do rebaixamento, quando a mira deveria ser o título.
Não quero parecer revoltado ou prolixo. Quem acompanha o futebol sabe do que escrevo aqui. O clube é uma empresa e precisa de lucro para se impulsionar num mercado de extrema competitividade. Sem uma boa gestão o time afunda e, voltar à tona é difícil.
Para termos mais times vitoriosos é preciso perseguir a nova receita do sucesso, que passa obrigatoriamente pelo fim do amadorismo e do voluntariado.
Respeito muito a trajetória dos heróis que outrora deram seu sangue prol dos nossos times. Mas, repito. Agora os tempos são outros. Maior prova disso é o Grêmio Anápolis. Recém criado, se comparado aos veteranos Anápolis e Anapolina, teve sua gestão pautada pelo profissionalismo e, rapidamente, alcançou o seu primeiro título, enquanto os colegas, atrelados às suas paixões e rompantes emocionais, jamais conseguiram, com exceção do Galo da Comarca, mesmo assim em 1965.
Com o leque diversificado de assuntos que cercam o futebol, tanto no exterior quanto no Brasil, os clubes precisam contar com administradores qualificados, uma equipe de profissionais, que se dediquem em tempo integral e estejam compromissados com a geração de receita, que conheçam administração financeira, desenvolvimento de novos negócios, gestão de carreira de atletas e que saibam controlar as receitas e os gastos com jogadores.
O Grêmio Anápolis soube aproveitar o que tinha em casa, valorizando os atletas da região, reforçou com outros de fora, fez contas e agora colhe os frutos, que devem ser ainda maiores na próxima temporada, já que agora conquistaram visibilidade e respeito e até torcedores dentro do estado.
*O jonalista Vander Lúcio Barbosa é torcedor da Associação Atlética Anapolina e foi voluntário no Anápolis Futebol Clube como diretor de Marketing.