Se na Revolução Industrial as máquinas ocuparam o chão de fábrica, agora é a vez da IA transformar os escritórios
Adrianne Vitoreli
Sebrae-GO
A partir do século 18, as primeiras máquinas a vapor e as têxteis foram implantadas na Inglaterra e, como impacto, houve uma substituição em massa dos milhares de tecelões e os artesãos perderam espaço. A produção manual não conseguia competir com a escala industrial. Como na Revolução Industrial, a tendência para 2026 é que a inteligência artificial (IA) adquira o papel de protagonista para assumir principalmente o trabalho burocrático e repetitivo dos escritórios, além de parte da produção de conteúdo.
Ferramentas de IA já são capazes de automatizar tarefas burocráticas e repetitivas, como análise de documentos, triagem de currículos e elaboração de relatórios e atendimento, entre outras. As funções administrativas – como de digitadores e escriturários, auxiliares, analistas de crédito e funções financeiras básicas, assistentes de recursos humanos (nível operacional), atendentes de call centers e suporte técnico inicial, secretariado executivo em funções rotineiras – já vêm sendo automatizadas, liberando tempo para que profissionais se concentrem em gestão e estratégia.
Tendências
O Caderno de Tendências 2026, produzido pelo Observatório Sebrae, do Sebrae Goiás, publicado no início de dezembro de 2025, reforça que tecnologia é meio, não fim. Segundo o estudo, o que move os negócios são os códigos culturais como pertencimento, simplicidade, cuidado e experiências compartilhadas.
A IA e outras tecnologias habilitadoras, como WhatsApp Business API, PIX, Checkout Social e CRM leve, tornam-se motores que conectam cultura e resultado. Para os pequenos negócios, isso significa reduzir custos, aumentar conversão e fidelização de clientes em ambientes digitais já familiares ao consumidor.
No estudo feito foram priorizadas dez tendências considerando principalmente a probabilidade de difusão e o impacto para os pequenos negócios, bem como outros fatores, como acessibilidade, aderência cultural e possibilidade de geração de diferencial competitivo. A lógica foi simplificar com menos tese e mais prática. No uso de IA, o caderno mostra como usar IA e automações leves para ganhar tempo sem inflar custos.
O gerente da Unidade de Gestão Estratégia do Sebrae Goiás (UGE), Francisco Lima Júnior disse que mapear tendências é uma forma de enxergar o presente com lentes mais nítidas.
“Quem entende primeiro para onde a cultura aponta, age antes, ocupa espaço, conquista relevância. Mapear tendências é, no fundo, uma forma de enxergar o presente com lentes mais nítidas. É perceber que, enquanto muitos esperam, outros já estão criando comunidade para reduzir custos, oferecendo experiências que fidelizam, ou testando tecnologias no desenvolvimento dos seus negócios”, analisa o gerente.
No Brasil, a adoção dessas ferramentas já se reflete em setores como varejo, saúde e agronegócio, mas o desafio é democratizar o acesso para micro e pequenas empresas.
André Villela Ribeiro, analista do Sebrae Goiás, reforça a urgência da transformação digital.
“A Inteligência Artificial não é mais uma tendência, é uma realidade. O empreendedor que não se inserir no processo de digitalização com uso dessas ferramentas na sua empresa corre o risco de perder competitividade no mercado. Nosso papel é preparar os pequenos negócios para essa nova era, oferecendo capacitação prática e acessível”, diz
Ele lembra que o relatório do Sebrae mostra que tecnologias como chatbots híbridos, automação no-code, programas de fidelidade e copilotos de IA generativa já estão ao alcance dos pequenos negócios, com baixo custo e alta aplicabilidade. “Essas soluções permitem desde atendimento 24/7 até personalização de campanhas e storytelling de origem com QR Codes dinâmicos, fortalecendo a confiança e a transparência junto ao consumidor”, avalia.
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