Decisão detalha operações e penas aplicadas ao grupo
A Justiça de Goiás condenou o líder e outros 16 integrantes de uma organização criminosa responsável por golpes cibernéticos em escala nacional. A investigação revelou movimentações milionárias, milhares de contatos telefônicos e o uso de inúmeros chips para enganar vítimas em diferentes estados. A decisão da 2ª Vara das Organizações Criminosas determinou mais de 100 anos de prisão ao chefe do grupo e aplicou R$ 5 milhões em danos morais coletivos. Além disso, o Judiciário ordenou o confisco de joias, veículos e imóveis obtidos por meio das fraudes, que tinham como alvo principal idosos e familiares de médicos e advogados.
Segundo o processo, o líder Wanderson Barbosa da Silva comandava a dinâmica dos golpes. A quadrilha atuava com divisão de funções, o que permitia que os criminosos operassem como uma verdadeira linha de produção. Cada participante desempenhava tarefas específicas para manter o esquema ativo e ampliar o número de vítimas.
Coordenação financeira
A primeira parte da estrutura era formada por integrantes que controlavam as contas bancárias usadas para receber os valores das vítimas. Eles também participavam da logística para ocultar a origem do dinheiro. Os condenados nesse grupo receberam as seguintes penas:
- João Gabriel de Oliveira Siqueira – 47 anos e 4 meses
- Glauber Henrique Rustiguel do Nascimento – 45 anos e 5 meses
- Alexandre Pereira da Silva – 45 anos e 4 meses
- Fernando dos Santos Oliveira – 41 anos e 10 meses
Esses réus tinham acesso direto às contas movimentadas pelo grupo.
Operadores dos golpes
Outra parte da quadrilha atuava diretamente nos contatos com as vítimas. Esses integrantes enviavam mensagens, faziam ligações e se passavam por parentes, médicos, advogados ou conhecidos das pessoas enganadas. Eles foram condenados às seguintes penas:
- Kelle Cristina Sousa Lima – 26 anos e 8 meses
- Felipe Pereira Machado – 22 anos e 4 meses
- Elias Júnior de Oliveira Clarindo – 20 anos e 11 meses
- Thalita Rodrigues de Jesus – 20 anos
- Michael Jacson Pereira da Silva – 20 anos
- Rodrigo de Jesus Ferreira – 18 anos e 11 meses
Nos celulares apreendidos, a polícia encontrou milhares de imagens de médicos, advogados e familiares usadas para criar histórias falsas e tornar os golpes mais convincentes.
Listas e dados
Outros membros do grupo eram responsáveis por organizar listas com nomes, fotos e dados pessoais das vítimas. Esse núcleo cuidava de estruturar as informações que seriam usadas nos falsos contatos:
- Lorrayne Gabriela de Souza – 12 anos e 2 meses
- Fernando Barbosa da Silva – 11 anos e 1 mês
A polícia localizou nos aparelhos do grupo milhares de fotos e informações de possíveis vítimas.
Contas e repasses
O esquema também dependia de pessoas encarregadas de abrir contas bancárias, receber transferências e repassar o dinheiro para outros integrantes. Eles funcionavam como “pontes” para tentar impedir que o dinheiro fosse rastreado até os chefes do esquema. As penas foram:
- Jhonny Galdino Leda – 5 anos
- Tairany Neves do Nascimento – 4 anos e 10 meses
- Danielle Braga Carapina – 4 anos e 10 meses
- Pablo Felipe Alves dos Santos – 4 anos e 4 meses
De acordo com o Ministério Público, apenas cinco pessoas do grupo movimentaram mais de R$ 14 milhões entre 2021 e 2024. Os criminosos utilizavam celulares com dezenas de chips para se passar por parentes, amigos ou profissionais conhecidos e pedir dinheiro com histórias falsas de emergência.
A investigação também encontrou quase 78 mil contatos em apenas um dos celulares apreendidos, o que demonstra a amplitude do esquema.
Todo o dinheiro, carros, imóveis, joias e outros bens apreendidos serão destinados ao pagamento das vítimas ao final do processo. Além disso, o valor de R$ 5 milhões por danos coletivos deverá ser pago pelos condenados de forma conjunta.
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