É cada vez mais precoce o envolvimento de mulheres no mundo do crime, fenômeno social de múltiplas explicações. Mas, nos últimos tempos, meninas, recém-saídas da adolescência têm figurado, insistentemente, nas ocorrências policiais. Não, apenas como coadjuvantes, antes denominadas “mulheres de bandidos”. Mas, como protagonistas de delitos, os mais diversos. Grande parte delas utiliza armas (branca e de fogo) e são altamente destemidas. Não vacilam se houver a necessidade de cometerem crimes contra a pessoa.
L. (nome preservado) tem 19 anos e está presa, à disposição da Justiça. Ela foi flagrada comercializando (traficando) drogas e não restou alternativa que não fosse a de levá-la para a cadeia. Só que, L. tem dois filhos. Um bebê de quatro meses, cujo pai abandou mesmo antes que ele nascesse e outra garotinha que acaba de completar dois anos. Esta, fruto de um relacionamento anterior. Sem ter o que fazer, a mãe de L., já com 61 anos, doente, assumiu a guarda das crianças para não vê-las entregues a abrigos de onde, provavelmente, seguiriam para a adoção.
A família é pobre, certamente, não tem como contratar um bom advogado para defender L. de forma mais presente. Com isso, ela, na cadeia, conta os dias para a data em que estará frente a frente com um juiz (ou uma juíza) e saber o seu destino. Ela não nega o envolvimento com o tráfico e diz que está nesta vida há três anos, levada pelo primeiro namorado que desapareceu. “Nem sei se ele ainda está vivo. Ele tem 23 anos. Conhecemos-nos num encontro de jovens na igreja. Fui criada em um lar cristão, Mas, em pouco tempo ele experimentou drogas e me levou junto”, diz ela resignada.
O fato verídico de L. leva todos nós à reflexão: Por que este fascínio dos jovens (inclusive as mulheres) por este mundo do narcotráfico, estrada sem retorno, beco sem saída. Quem está nesta vida tem dois destinos: cadeia, ou, cemitério. Mesmo assim, esta juventude continua sendo atraída, seduzida e levada para este desiderato. Seria o dinheiro fácil? Seria a tal adrenalina? Seria a rebeldia típica dos tempos atuais? Ninguém sabe. Só se sabe que os sonhos de muitos jovens continuam sendo roubados. Os sonhos e as vidas.