Com o passar do tempo e os resultados das urnas conhecidos recentemente, algumas figuras enigmáticas da política (nacional, estadual e municipal) começam a experimentar o apogeu, o ocaso ou o declínio natural. O tempo passa para elas também. Gente que estava “na crista da onda”, no exercício ou na sombra do poder, está, aos poucos, a contemplar o crepúsculo de uma era de protagonismo, presença marcante e influência decisiva nos mais diferentes setores da sociedade.
Mas os resultados das urnas do último domingo sinalizaram que a imortalidade não existe, nem mesmo entre os ditos e considerados poderosos. Aliás, o poder é efêmero. A idade chega para todos. Os ciclos são renováveis e as lideranças, por mais que sejam fortes, um dia entram no período de enfraquecimento, até o ato final.
A história recente mostra que muitos que experimentaram por anos, décadas a fio, o esplendor do poder político e social passaram a ceder seus lugares de honra aos recém-chegados ao mundo mágico e encantador da política. E, se servir de consolo ou resignação, é uma viagem sem volta: por mais que queiram e desejem, a vida segue. Quem mandou e desmandou começa a se despedir do poder — alguns conformados, outros relutantes. Mas o dia chega.
“O tempo é o senhor da razão”, diz o provérbio popular, e isso é a mais absoluta verdade. Artistas (pois a política é uma arte) que brilhavam na ribalta, aos poucos, fecham as cortinas e saem de cena. Em curto espaço de tempo, com raríssimas exceções, caem no esquecimento daqueles que os aplaudiam freneticamente, enquanto outros começam a chegar para ocupar a preferência das plateias.
Aos que desaparecem, resta o consolo de guardarem na lembrança os momentos (bons e maus) experimentados na vida pública. Chegou a hora de ensarilhar as armas e sair de cena, pois o novo espetáculo já começou. O tempo não para…
