Até a conclusão definitiva da transição, em julho de 2027, a programação da Manchester seguirá inalterada sob a gestão de Onaide Santillo
Depois de mais de três décadas no ar, atravessando gerações, disputas políticas e profundas mudanças no rádio brasileiro, a Rádio Manchester 93,3 FM se despede do comando da família Santillo. O anúncio feito por Onaide Santillo encerra um dos capítulos mais emblemáticos da comunicação anapolina e transfere à Fundação Frei João Batista Vogel a missão de conduzir, a partir de julho de 2027, uma das marcas mais populares da história do rádio em Goiás.
A trajetória da Manchester se confunde com a própria história política e social de Anápolis. Muito antes da criação da emissora, os irmãos Adhemar e Romualdo Santillo já utilizavam o rádio como instrumento de participação popular. Na antiga Rádio Santana, o programa “O Povo Falou, Tá Falado” tornou-se símbolo de resistência durante os anos da ditadura militar, ajudando a fortalecer o MDB em Anápolis.
O tom crítico e comunitário incomodou o regime. Em 1975, a Rádio Santana teve o sinal interrompido pelo Ministério das Comunicações. Mas o silêncio imposto acabou alimentando um novo projeto de comunicação.
Marca Regional
Em 21 de julho de 1993, nascia oficialmente a Rádio Chão Goiano, que adotaria o nome fantasia Manchester FM 93,3. A emissora rapidamente conquistou espaço com uma programação popular, voltada à música sertaneja, jornalismo regional, debates e prestação de serviços.
Com potência de 10 mil watts, a Manchester ultrapassou os limites de Anápolis e passou a alcançar mais de 60 municípios de Goiás e do Distrito Federal. Ao longo dos anos, ajudou a revelar artistas, formou comunicadores e consolidou uma relação afetiva com milhares de ouvintes.
Sob a liderança de Adhemar Santillo, Romualdo Santillo e Onaide Santillo, a rádio transformou-se em referência regional de comunicação popular.

Anúncio Emocionado
Ao comunicar a venda da emissora aos colaboradores, Onaide Santillo não escondeu a emoção. Em um discurso marcado por gratidão e despedida, definiu a Manchester como parte da memória afetiva da cidade.
“A Manchester é mais que uma rádio, é parte da nossa história e da história de Anápolis”, afirmou.
Ela reconheceu que as transformações do setor de comunicação, somadas aos desafios administrativos enfrentados nos últimos anos, pesaram na decisão de encerrar o ciclo da família Santillo à frente da emissora.
Mesmo diante da despedida, Onaide pediu empenho total da equipe até julho de 2027, quando ocorrerá oficialmente a transferência da frequência.
Nova Missão
A nova controladora da 93,3 FM será a Fundação Frei João Batista Vogel, instituição franciscana que já administra as rádios São Francisco FM e 96 FM, em Anápolis, além da Cultura FM, em Catalão.
Para o presidente da fundação, Frei Carlos Antônio da Silva, a aquisição representa um avanço estratégico na missão evangelizadora e de comunicação social dos franciscanos em Goiás.
O diretor executivo da instituição, Victor Almeida França, destacou que a compra acontece justamente no ano em que a fundação completa meio século de atuação.
Legado Permanente
Mais do que uma emissora, a Manchester tornou-se patrimônio afetivo de Anápolis. Seus microfones acompanharam campanhas políticas, cobriram acontecimentos históricos, abriram espaço às demandas populares e ajudaram a construir parte da identidade cultural do município.
Com a venda anunciada, encerra-se um ciclo iniciado ainda nos tempos da resistência política no rádio goiano. Em 2027, a frequência 93,3 FM iniciará uma nova etapa sob gestão franciscana, mas carregando consigo a memória de uma emissora que ajudou a contar a história de Anápolis para gerações inteiras. (Vander Lúcio Barbosa)
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