O avanço da pesquisa foi apresentado durante um encontro realizado na quarta-feira (21), na instituição com várias autoridades
Pesquisa científica voltada ao controle do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika, chikungunya e febre amarela, avança para a fase de testes de campo em Anápolis, colocando o município no centro de uma iniciativa inovadora no enfrentamento das arboviroses. A nova etapa do estudo, que envolve a aplicação de uma tecnologia já validada em laboratório, está sendo desenvolvida por meio de parceria entre a Universidade Evangélica de Goiás (UniEVANGÉLICA), a Universidade de São Paulo (USP) e o poder público municipal.
O projeto encontra-se em fase de validação em campo e é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde, por meio de edital voltado ao desenvolvimento de inovações tecnológicas para o controle de arboviroses. Com investimento de R$ 600 mil, a pesquisa tem como objetivos otimizar a estabilidade da formulação, padronizar protocolos de aplicação sob luz solar, avaliar impactos ecotoxicológicos, comprovar a eficácia em condições reais e analisar a aceitação da tecnologia pela comunidade.

O avanço da pesquisa foi apresentado durante um encontro realizado na quarta-feira (21), na UniEVANGÉLICA, que reuniu pesquisadores, gestores públicos e representantes de instituições de fomento. A programação marcou o lançamento institucional da nova fase do estudo, com a apresentação dos objetivos e do cronograma da pesquisa, além do treinamento das equipes que atuarão diretamente no estudo-piloto, a ser desenvolvido em áreas urbanas de Anápolis. A tecnologia utiliza a curcumina, substância de origem natural que, ao ser ativada pela luz solar, gera espécies reativas de oxigênio capazes de destruir estruturas vitais das larvas do mosquito, sem deixar resíduos tóxicos no ambiente.
Presenças
Estiveram presentes o presidente da Associação Educativa Evangélica, Ernei de Oliveira Pina; o reitor da Universidade Evangélica de Goiás – UniEVANGÉLICA, Carlos Hassel Mendes; o pró-reitor de Pós-Graduação, Pesquisa, Extensão e Ação Comunitária, Dr. Sandro Dutra e Silva; a secretária municipal de Saúde, Jaqueline Gonçalves Rocha de Oliveira; o secretário-adjunto da Saúde em Goiás, Sérgio Alberto Cunha Vencio; o diretor executivo da Fundação Universitária Evangélica – FUNEV, João Pedro dos Santos; o presidente do Conselho de Administração da FUNEV e 2º tesoureiro da Associação Educativa Evangélica, Cicílio Alves de Moraes; o 2º secretário da Associação Educativa Evangélica, Dr. Anderson Pinangé Silva; o vereador Jean Carlos; o prefeito Márcio Corrêa; além de coordenadores de cursos e docentes da instituição.

Também participaram o chefe de gabinete da Fapeg, Henrique Matias Troncoso Chaves; o capelão Heliel Carvalho; o diácono Júlio César, responsável pelas relações institucionais da Santa Casa de Misericórdia de Anápolis; o professor doutor da USP e da Texas A&M University, Dr. Vanderlei Salvador Bagnato, com participação on-line; a pesquisadora da USP, Dra. Alessandra Lima; e o coordenador do curso de Farmácia da UniEVANGÉLICA, professor Lucas Danilo Dias.
O professor doutor Vanderlei Salvador Bagnato, da Universidade de São Paulo (USP) e da Texas A&M University, idealizador do projeto desde as fases iniciais e responsável pela patente do fotolarvicida, participou do encontro de forma remota, diretamente dos Estados Unidos. Atualmente, o pesquisador atua em pesquisas de ponta na área de oncologia, financiadas pelo governo norte-americano, com desenvolvimento de tecnologias a laser para o tratamento do câncer — conhecimento que também tem sido aplicado em estudos voltados ao combate ao Aedes aegypti. Durante sua fala, Bagnato destacou a confiança na equipe da UniEVANGÉLICA, ressaltando a atuação do professor Lucas Danilo Dias, que realizou pós-doutorado sob sua orientação, e afirmou acreditar no potencial do trabalho desenvolvido em Anápolis, razão pela qual aceitou integrar a terceira fase da pesquisa no município. O pesquisador também manifestou interesse em ampliar a cooperação institucional, com a possibilidade de estender para Anápolis um braço da Embrapii, instituto que coordena em São Carlos (SP), fortalecendo o desenvolvimento de novas pesquisas na área da saúde.
Durante o evento, o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, destacou que a dengue é um desafio histórico para o município e defendeu o fortalecimento de ações preventivas aliadas à ciência. “Nada é mais importante do que o trabalho preventivo. Quando unimos academia, setor público e pesquisadores sérios, quem ganha é a população”, afirmou.
Para o reitor da UniEVANGÉLICA, professor Carlos Hassel, o projeto expressa a missão institucional de colocar o conhecimento a serviço da sociedade. “Trabalhamos com pesquisas que tenham aplicabilidade real e impacto direto na vida das pessoas. Este projeto demonstra como a universidade pode contribuir de forma concreta para enfrentar um problema de saúde pública”, ressaltou.
Ciência com impacto social
O presidente da Associação Educativa Evangélica (AEE), doutor Ernei de Oliveira Pina, enfatizou que o valor da pesquisa está em sua capacidade de alcançar a população. “Quando a pesquisa ultrapassa os muros da universidade e chega à sociedade, ela cumpre plenamente seu papel”, afirmou.
Na avaliação do pró-reitor Sandro Dutra e Silva, o início da etapa de campo representa um marco institucional. “Problemas complexos exigem soluções construídas coletivamente, com investimento, confiança e parcerias sólidas entre universidade, governo e sociedade”, destacou.
Fomento e inovação
Representantes da Fapeg enfatizaram que o apoio ao projeto integra uma estratégia mais ampla de incentivo à ciência com impacto social. Para o chefe de gabinete, Henrique Matias Troncoso Chaves, investir em pesquisas aplicadas é fundamental para enfrentar desafios contemporâneos da saúde pública. “Quando apoiamos projetos como este, estamos fortalecendo a ciência que sai do laboratório e chega à população, com soluções inovadoras, sustentáveis e alinhadas às reais necessidades da sociedade”, destacou. Segundo ele, iniciativas dessa natureza contribuem diretamente para o enfrentamento das arboviroses e para a construção de políticas públicas mais eficazes.
Para o secretário-adjunto da Saúde de Goiás, Sérgio Alberto Cunha Vencio, a pesquisa representa uma mudança de paradigma no enfrentamento das arboviroses. “Quero parabenizar a UniEVANGÉLICA e a USP, a Secretaria de Estado de Saúde e a Fapeg pela pesquisa, que pode virar o jogo. Anualmente sofremos com epidemias de dengue, chikungunya e zika vírus e tratamos somente as complicações. Foram 10 anos de pesquisa, que contou com o financiamento da Fapeg e da Secretaria de Estado de Saúde. O fotolarvicida é uma forma de atacar o vetor, que é o responsável pela transmissão. Ao entrar em contato com a luz solar, ativa propriedades letais contra a larva que posteriormente se tornaria o mosquito”, destacou.
Anápolis em posição estratégica
Ao sediar essa etapa da pesquisa, Anápolis passa a ocupar posição estratégica no cenário estadual e nacional da inovação em saúde pública. A iniciativa reforça o papel da UniEVANGÉLICA como protagonista na produção de conhecimento aplicado e no desenvolvimento de soluções sustentáveis para desafios reais da sociedade, consolidando a ciência como aliada fundamental na formulação de políticas públicas e na proteção da saúde da população.
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