Um dos meus maiores temores, no início da pandemia, era de que o amor esfriasse se as pessoas deixassem de congregar e cheguei a manifestar isso em um dos meus artigos no início do ano de 2020. Passado mais de um ano das primeiras iniciativas contra a disseminação da Covid-19, percebo que o amor realmente parece ter esfriado. Não pelo fechamento temporário das igrejas ou as ações de isolamento social, mas sim pela ausência de empatia com a dor do próximo.
Muitas vezes, tenho a impressão que as mortes diárias deixaram de causar comoção ou compaixão pelas famílias das vítimas. Precisamos relembrar, diariamente, que por trás daqueles números existem vidas, sofrimento, perda, saudade. Mais de duas mil mortes pela mesma causa num único dia não é algo a ser banalizado. Muito pelo contrário. Apenas para visualizar melhor a tragédia que nos assola, em 2007, todos nos comovemos com as 199 vidas perdidas em um acidente com um avião da TAM. Com a Covid-19, a média diária de mortos chegou a 2.255 na semana passada, o que significa a queda de mais de 11 aeronaves por dia. É assustador, ou melhor, aterrorizante
A ciência e a experiência de outros países já comprovaram que as únicas armas disponíveis para conter a contaminação é o distanciamento, higiene das mãos e uso de máscaras, até que a vacina esteja disponível para todos. Nesse contexto, como cidadãos, não existe outra opção senão o distanciamento/isolamento social e aos nossos governantes cabe a tarefa de agir para que isso seja efetivamente realizado.
O lockdown, seja ele parcial ou total, é uma medida impopular. Um político com pretensões eleitorais futuras jamais tomaria a decisão de fechar igrejas e comércio se vislumbrasse uma alternativa menos drástica. O Governador de Goiás, o Prefeito de Anápolis e todos os governantes que4 tomaram esta decisão contam com minha simpatia e respeito porque o mundo comprovou o que estou endossando. Nesse momento, em que chegamos ao limite da capacidade de nosso sistema de saúde, bem-intencionados ou não, alguns tiveram coragem de agir, mesmo com prejuízo de sua popularidade.
Criticar é fácil quando não se é o responsável por tomar a decisão, mas a esses críticos vorazes, sinto-me à vontade para sugerir que se coloquem, por um minuto, no lugar de quem decide, de quem trabalha nas unidades de saúde, de quem sofre com a doença ou de quem perdeu um ente querido. Mais que desejos e projetos pessoais, está em jogo a vida. A vida.
O lockdown é um sacrifício coletivo temporário que beneficiará a todos, pois a Covid-19 não faz distinção entre anônimos e conhecidos, ricos e pobres, poderosos e desfavorecidos; não diferencia bolsos, rostos ou popularidade, ela simplesmente mata. E, para fazer qualquer coisa é preciso estar vivo e ninguém sabe se, contaminado, sobreviverá.
Por isso, nós, como sociedade, precisamos entender que, nesse momento difícil, devemos no unir pela vida: a minha, a sua, das nossas famílias, dos nossos amigos, vizinhos e concidadãos. Deixemos de lado discussões vazias e, mais, deixemos as confraternizações, cultos presenciais, reuniões e tudo que não seja vital para daqui alguns dias ou algumas semanas
Quero ainda fazer um apelo à solidariedade. No início da pandemia muitas pessoas se mobilizaram em favor dos pobres e das organizações de assistência social. Grupos organizados, sindicados, associações, anônimos, fizeram campanhas, arrecadaram alimentos, enviaram doações. Porém um ano se passou e o esfriamento destas iniciativas também é uma realidade. As instituições estão passando necessidades! Nós não podemos parar, existem centenas e milhares de pessoas que dependem do nosso trabalho. As campanhas em favor dos mais pobres não podem ficar nos passado! Se você fez parte deste grupo que se levantou em nosso favor, volte a fazê-lo.
É hora de união e oração. Queremos conclamar a cidade de Anápolis e todos que quiserem se juntar a nós por mais um dia de jejum e oração pelo controle e fim da pandemia semana passada. Na próxima segunda-feira (05/04), faremos um dia de consagração, com jejum e oração, entre cristãos protestantes e católicos, pedindo ao Senhor que abra os céus em nosso favor e nos conduza a dias melhores e de paz, em que estar junto signifique vida e não morte.
Rev. Wildo dos Anjos é presidente e fundador da Missão Vida, instituição filantrópica pioneira no Brasil na área de recuperação de mendigos. Casado com Rosane é pai de quatro filhos. Pastor e autor de vinte e seis livros, já pregou em todas as capitais brasileiras e em mais de 50 países. Contatos: 62 3318 1985 presidencia@mvida.org.br



