Uma solenidade concorrida, com um simbolismo importante e marcada por histórias, emoções e um anúncio.
Na manhã de quinta-feira, 02, a Prefeitura de Anápolis assinou o Termo de Colaboração do Serviço de Acolhimento Institucional de Adultos e Famílias em Situação de Ruam na modalidade Casa de Passagem, com o Instituto Church.
A solenidade como dezenas de outras já ocorridas no Mini-auditório da Prefeitura de Anápolis, com a presença do Prefeito Roberto Naves; da primeira-dama e deputada estadual Vivian Naves; de vereadores; representantes do Poder Judiciário; de abrigos e casas de recuperação.
Mas, enfim, foi uma solenidade que teve o simbolismo de mostrar do avanço das ações sociais que o Município tem passado nos últimos anos.
Segundo a narrativa feita pela primeira-dama, Vivian Naves, quando o prefeito Roberto Naves assumiu o Governo Municipal, lembrou, as instituições tinham “medo” de chegar até à Prefeitura, porque poderiam não ser atendidas ou porque, até, poderiam não ter o tratamento que deveriam. Trocando em miúdos, poderiam ser humilhadas.
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Mas, as barreiras foram caindo e, de acordo com a secretária de Integração Social, Eerizânia Freitas, hoje, as instituições sejam aquelas que acolhem crianças, sejam aquelas que acolhem idosos, as pessoas de situação de rua e as casas de recuperação que trabalham com drogativos, todos contam com repasses feitos pela Prefeitura de Anápolis.
Inclusive, citou a secretária, há casos em que o Município faz desembolso para custear repasses que deveriam ser feitos por outros entes governamentais.
O convênio específico, celebrado com o Instituto Church (que mudou de nome e o leitor já vai saber por que), tem como foco dar acolhida a pessoas ou famílias que estão em situação de rua por vários motivos (abandono, migração, conflitos e outros) e poderão permanecer durante todo o dia até por um período de três meses.
A Prefeitura irá repassar mensalmente R$ 10 mil para ajudar no custeio das despesas e do apoio que o instituto dá aos seus acolhidos.
Histórias e emoções
O valor, aliás, não é o dado mais relevante dessa parceria. Além dos simbolismo que o evento demonstrou com os avanços sociais da cidade, por trás de cada situação há gente e, aonde tem pessoas envolvidas, tem-se história para contar.
E, no evento, essas histórias tiveram dois personagens: João Victor e Cleomar.
João Victor teve um problema e saiu de casa. Um dia, ele estava na Praça Bom Jesus, tarde da noite, com uma mala nas constas- segundo ele mesmo contou.
“Naquele momento, eu nem sabia mais quem eu era”, disse, emocionado. E, naquele turbilhão de emoções, surgiu uma mão que o acolheu, levando-o para o Instituto Church.
Lá, João Victor se reencontrou e, inclusive, encontrou a mulher com a qual se casou. Hoje, ele tem a sua barbearia, tem sua família e a vida normal, acrescida da vontade de ajudar ao próximo, como ele foi ajudado.
O segundo personagem foi apresentado pelo pastor Divino Braga, diretor do Instituto. Trata-se de Cleomar. Ele era morador de rua e ficava sempre por perto do Estádio Jonas Duarte.
Cleomar era arredio, não falava, não abraçava. Conforme o pastor, não tinha muita coisa para dizer que estava de bem com a vida.
Mas a vida provou o contrário. Ele foi levado ao Instituto e por lá foi acolhido e teve o seu silêncio respeitado. O tempo se encarregou de mudar Cleomar, até que ele deixou-se abraçar.
Assim como João Victor, Cleomar reconstruiu a sua trajetória, se casou e tem uma vida renovada. E continua no Instituto ajudando quem precisa de ajuda.

Mudança de nome
Feitas as apresentações, o pastor Divino anunciou em primeira mão que o Instituto Church passará a denominar-se Instituto Cleomar.
E fez questão de reproduzir aos presentes o significado do nome do homenageado. Cleomar significa: “mar da glória”, “mar da revelação” ou “mar glorioso pelas vitórias”.
Presidente da Igreja Church, o pastor Thiago Cunha disse ter sido uma honra poder compartilhar desse momento histórico.
A cidade, disse ele, não é uma responsabilidade só do prefeito, dos vereadores, “é uma responsabilidade de todos nós”.
O juiz de Direito e presidente de honra da ONG Cruzada pela Dignidade, complementou: “Esse evento nos dá motivação para acreditar no ser humano”.
Por fim, encerrando a solenidade, o prefeito Roberto Naves assinalou que as instituições precisam ser mais valorizadas pela sociedade. Mas, para isso, recomendou, elas não precisam ter vergonha de mostrarem o que fazem.
Logo no começo de seu discurso, ele deixou uma frase que vale a reflexão: “lembrar o passado, entender o presente e valorizar o futuro”.


