As recentes revelações de que a Inteligência Artificial foi utilizada na elaboração de uma sentença que inocentou um homem acusado de estupro contra uma menina de 12 anos, em Minas Gerais, reacendem um debate urgente: até onde deve ir o uso dessa tecnologia em decisões que envolvem vidas humanas e valores sociais? O episódio expõe a fragilidade de confiar em sistemas automatizados para questões que exigem sensibilidade, empatia e discernimento humano.
Por Vander Lúcio Barbosa
A Inteligência Artificial, embora eficiente na análise de dados e identificação de padrões, carece de compreensão emocional. Ela não é capaz de captar nuances de comportamento, esforço individual ou impactos psicológicos, como estresse e ansiedade, que influenciam diretamente o desempenho e as relações humanas. Essa limitação torna perigoso o uso indiscriminado da tecnologia em áreas que demandam julgamento ético e moral.
No caso de Minas Gerais, a decisão judicial baseada em argumentos gerados por IA — como a suposta relação “consensual” entre um adulto de 35 anos e uma adolescente de 12 — fere profundamente a sensibilidade social e a letra da lei. Tal justificativa remete a concepções ultrapassadas, incapazes de se sustentar diante da realidade contemporânea e da proteção legal à infância e adolescência. A tecnologia, nesse contexto, não pode substituir a razão humana, sob risco de legitimar práticas inaceitáveis.
O livre arbítrio permite que qualquer pessoa utilize ferramentas tecnológicas, mas é imprescindível reconhecer que seu uso desmedido pode causar danos irreparáveis a indivíduos e instituições. A frieza da IA, sem empatia ou compreensão das complexidades sociais, pode deformar valores e comprometer decisões fundamentais. Por isso, é necessário estabelecer parâmetros claros para sua aplicação, evitando que casos como o de Minas Gerais se repitam e passem a ser tratados com naturalidade.
Em suma, a Inteligência Artificial é uma aliada poderosa, mas não deve ser confundida com substituta da consciência humana. A justiça, sobretudo em crimes que envolvem vulneráveis, exige mais do que lógica e dados: requer humanidade, sensibilidade e responsabilidade. O episódio mineiro é um alerta para que sociedade e instituições reflitam sobre os limites éticos dessa inovação, antes que ela comprometa valores essenciais.
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