Completaram-se, este mês, exatos 85 anos, desde que a primeira locomotiva cortou a região de Anápolis, vinda de Leopoldo de Bulhões, para inaugurar uma nova era na economia de toda a nossa região.

Em 07 de setembro de 1935 foi inaugurada em Anápolis a Estação Ferroviária “Prefeito José Fernandes Valente”
A “Maria Fumaça”, como era mais conhecida, trazia um comboio de apenas oito vagões, mas, muita esperança naquilo que, em pouco tempo, se tornou uma grande realidade. Anápolis despontaria, daquele dia em diante, como o principal centro produtor e distribuidor de mercadorias, de bens e serviços.
A composição da Estrada de Ferro Goyaz retornou, no dia seguinte, com os vagões lotados de produtos locais, como café, algodão e arroz. E, esta saga durou por mais de quatro décadas.
Foi até que, um inexplicável movimento surgiu entre lideranças políticas do Município e passou a condenar a presença dos trens na região central da Cidade que não parava de crescer creditando, a eles, a responsabilidade por acidentes, muitos deles com vítimas fatais, é verdade. Mas, por que em outras comunidades do País e, principalmente, do exterior, as populações se adaptaram na convivência pedestre/automóvel/trem de ferro? Ninguém nunca explicou isso.
A rejeição foi tão grande que se chegou ao absurdo de se dinamitarem as passagens das composições ferroviárias, para que os trens não chegassem à Praça Americano do Brasil, episódio que, até, hoje, é lembrado em Anápolis.
Finalmente, na década de 1970 as locomotivas, agora movidas a óleo diesel, deixaram de cortar a região urbana. Tempos depois deixaram de vir até à Estação de Castilhos, no Bairro Jundiaí, apagando, de vez, a história da ferrovia em Anápolis.
Grande parte da área atravessada pelos trilhos foi invadida por muita gente. Sem contar que o antigo trajeto poderia, sim, servir como corredor de um sistema de transporte de passageiros, principalmente de operários, entre o setor central e o Distrito Agro Industrial de Anápolis. Não pensaram nisso naquela época. Uma pena.
Entretanto, o sonho não morreu. Veio a proposta da Ferrovia Norte Sul, depois a Centro Atlântica e a atual estrutura político/econômica regional despertou para a importância que os trilhos representaram e, representam para o progresso de qualquer nação.
Aguarda-se, ansiosamente, que, em breve, os trens comecem a circular, quem sabe, até, como transporte de passageiros. Seria o histórico resgate de uma época em que registrávamos, por aqui, a marca do progresso e do desenvolvimento.
Compreende-se, a opção econômica feita naqueles tempos, com a substituição do transporte ferroviário pelo rodoviário, até porque, a indústria automobilística nacional começava a se concretizar. Os caminhões começaram as ser fabricados no Brasil, as estradas foram melhoradas, inclusive com o asfalto. O que não se justifica, todavia, é desativar um projeto que deu certo em todo o mundo e acabou sendo deixado em segundo plano no Brasil.





Viajei gostei demorado mais gostoso o barulho nos trilhos a paisagem o restaurante as paradinhas etc.