Além da perda sentimental por ver a Seleção Brasileira de Futebol apresentar o pior desempenho dos últimos 92 anos, os brasileiros, povo que, a cada quatriênio, sonha com as seleções de Pelé, Garrincha, Ronaldinho, Rivaldo, Zico e tantos outros astros, ainda amargam prejuízos materiais. Muitos juntaram dinheiro para custear uma viagem caríssima, com hotéis, traslados e ingressos proibitivos para a maioria da população, mas se decepcionaram em apenas uma semana de jogos.
Por Vander Lúcio Barbosa
Voltaram para casa frustrados, com o sentimento de derrota e desilusão. Gastaram o que tinham e o que não tinham. Milhares ainda passarão muito tempo pagando as despesas da Copa do Mundo mais frustrante da história, principalmente pela qualidade dos adversários enfrentados na primeira fase. Pior foi a decepção com jogadores “endeusados” pela mídia que passaram em branco justamente quando eram tratados como super-heróis.
Assentada a poeira, é hora de rever os prejuízos materiais, econômicos e financeiros. Eles envolvem estoques encalhados após a eliminação da Seleção, queda de produtividade nas empresas e danos ambientais, já que esta poderá ser a Copa mais poluente da história em razão das emissões de carbono das viagens. Comerciantes que investiram em camisas, bandeiras, bonés e produtos verde-amarelos agora enfrentam capital de giro comprometido.
Isso sem contar empresas de telefonia, bancos, fabricantes de bebidas, jogos eletrônicos e outras marcas que contrataram, por cachês milionários, jogadores para campanhas publicitárias. Com o desempenho medíocre da equipe, certamente esperavam retorno bem diferente. Também houve perda de produtividade pela liberação antecipada de trabalhadores e mudanças em horários de eventos, inclusive religiosos, para permitir que torcedores acompanhassem os jogos. Tudo em vão.
Como se não bastasse, bares e restaurantes registraram forte retração no movimento. Em Copas anteriores, o faturamento chegava a crescer 200% nos dias de jogos da Seleção. Desta vez, a eliminação precoce frustrou as expectativas. Muitos reforçaram os estoques, principalmente de bebidas, apostando em “casa cheia” nas fases seguintes. Agora, terão de encontrar alternativas para vender os produtos que sobraram.
Como consolo, lideranças do setor acreditam que parte do material verde-amarelo poderá ser aproveitada nas manifestações políticas de outubro, na Copa do Mundo Feminina do próximo ano, no Brasil, ou, quem sabe, em 2030, quando renascerá o sonho do hexacampeonato.
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