Marcos Vieira
Especial/Portal CONTEXTO
Na tarde do dia 16 de março de 2020, uma segunda-feira, o prefeito Roberto Naves (PP) reunia a imprensa no seu gabinete para anunciar o primeiro caso de Covid-19 em Anápolis. A imagem daquele encontro só tem um ano, mas parece fazer parte de outra época – o que dá essa sensação talvez seja a proximidade de repórteres e autoridades e, principalmente, a ausência de máscaras, até então uma proteção ainda não obrigatória no país.
Ao confirmar que a primeira moradora da cidade a testar positivo, uma senhora de 69 anos, tinha se infectado com o coronavírus em uma viagem à Itália, a médica infectologista Débora Mota afirmou o seguinte: “trata-se então do momento em que a gente sai do nível zero e passa para o nível 1”.
Até então Anápolis tinha vivido uma experiência de certo modo positiva em relação ao coronavírus. Brasileiros repatriados de Wuhan, epicentro da doença na China, cumpriram quarentena na Base Aérea da cidade.
“Muito orgulho pelo resultado da operação, foi muito bem sucedida, pela presteza, pela rapidez e pelo alívio do retorno para seus lares”, anunciou o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, em solenidade que marcou o fim do isolamento.
Estrutura própria

O início da pandemia em Anápolis, através do primeiro caso, foi marcado pela decisão de se fechar parte do comércio e pela criação, pela administração municipal, de uma estrutura própria para atender os moradores da cidade. Naquele momento era inimaginável que teríamos que ter unidades de saúde funcionando unicamente para casos de Covid-19 e 93 leitos de UTI exclusivos para a doença.
A rede municipal avançou à medida que o vírus se alastrava. A rede estadual, representada na cidade pelo Hospital de Urgências Dr. Henrique Santillo (Huana), obrigado a atender a macrorregião centro-norte de Goiás, com 1,1 milhão de habitantes, há muito tempo tem seus leitos para o coronavírus 100% lotados: 21 vagas de UTI e 18 de enfermaria.
Muita coisa que aconteceu a partir daquele mês de março de 2020 passou a fazer parte das nossas vidas. O teletrabalho deixou de ser coisa de escritórios modernos e virou obrigação para muitos. Há um ano o MEC autorizava aulas à distância por 30 dias – até hoje parte das salas de aula estão vazias.
Impactos
Há um ano, causou espanto a recomendação expressa do Ministério da Saúde para que eventos fossem cancelados ou adiados. A pandemia devastou esse setor, junto com o turismo e os bares e restaurantes, obrigados a fechar e abrir as portas à medida que os casos avançam ou recuam.
Um ano depois as autoridades ainda precisam insistir e fazer campanhas relacionadas ao uso de máscara, álcool em gel e distanciamento social. Uma declaração do prefeito Roberto Naves, dada à Rádio Manchester na semana da confirmação do primeiro caso na cidade, ainda segue atual: “a gente gostaria realmente de usar os microfones da rádio para pedir que toda a população respeite as medidas e aquelas que fazem parte do grupo de risco, que fiquem em casa, evitem estar saindo na rua”.
Se a pandemia nos diz muito sobre o que somos hoje, é importante lembrar que faz um ano que a sociedade discute saúde x economia, em um claro acirramento dos ânimos que até agora não nos levou a lugar algum.
A principal solução, a vacina, cuja imunização ainda está lenta no Brasil, é um dos pontos altos nesse balanço de um ano de pandemia, com Anápolis sendo protagonista em Goiás. Foi na cidade que se aplicou a primeira dose do imunizante contra a Covid-19, ministrada pelo próprio governador Ronaldo Caiado (DEM) na moradora de um abrigo, Maria Conceição da Silva, de 73 anos.
“Não doeu nada. Esperei muito tempo por essa vacina. Eu estava ansiosa. Isso vai dar força para todas e todos. Quando todo mundo estiver imunizado, aí será alegria para mim. Enquanto não for, eu não tenho muita alegria. Não basta só eu, tem que ser todos”, disse a idosa em 18 de janeiro de 2021.
Números

Anápolis registrou em um ano 27.575 casos positivos de Covid-19. Painel da Secretaria Municipal de Saúde indicava, na terça-feira, 16 de março, que desse total, 23.469 moradores da cidade tinham se curado da doença.
Os dados em relação às mortes impressionam: desde o surgimento do primeiro caso, 630 pessoas morreram em território anapolino vítima do coronavírus. A primeira morte de um morador local ocorreu em 30 de abril de 2020: tratava-se de uma mulher de 75 anos de idade.
E os mais velhos foram as principais vítimas da Covid-19 em um ano. Pessoas acima de 60 anos representam 76% das mortes em Anápolis. Dentro desse grupo, a faixa etária de 70 a 79 foi a mais atingida, 161 óbitos em um ano. Praticamente empatado aparece o grupo acima dos 80 anos: 160 mortes em 365 dias.
Anápolis também teve perdas entre os mais jovens: foram sete mortes na faixa entre 10 e 29 anos. Já entre os casos positivos da doença, os mais infectados foram aqueles entre 30 e 39 anos, com o total de 6.598 registros. Morreram por Covid-19 um total de 21 pessoas nessa faixa etária.
A letalidade do coronavírus entre os mais velhos é alta. No grupo de moradores de Anápolis acima dos 80 anos, foram 580 casos da doença em um ano, com 160 mortes.
Pior momento

Em 12 meses, vivemos o pior momento agora. Março de 2021, com seus 118 óbitos, já ultrapassou agosto de 2020, com 116 óbitos. Depois desse ápice local da pandemia, ainda no ano passado, Anápolis chegou a viver momentos que davam a falsa sensação de que a situação estava contralada: novembro teve somente 14 vítimas fatais.
Os homens são os que mais morrem por complicações do coronavírus em Anápolis: 349 registros ante 281 mulheres. Já a população feminina é a mais contaminada: 15.060 casos diante de 12.515 homens positivados.
Todos esses dados surpreendem, mas não demonstram a devastação que a Covid-19 tem feito às famílias – são dramas pessoais que jamais serão esquecidos de pessoas enterrando gente querida sem direito à liturgia de um funeral. As redes sociais se transformaram em verdadeiros obituários. Depois de um ano o que se espera é vacina para todos e um novo normal com menos tristeza.


Infelizmente é uma triste realidade. o que estamos vivenciando! Tenho 79 anos e 11 meses, portanto já tive a oportunidade de ver e vivenciar situações de extremos tanto, boas como ruins levando em consideração minha idade ,porém ,esta é uma situação semelhante a que meus avós e pais tiveram a oportunidade de conviver que foi a “gripe espanhola”quando os mesmos se referiam a ela ainda deixavam transparecer pavor! Hoje a história está se repetindo, apesar ,do progresso que o mundo inteiro ganhou, nós humanos ainda temos grande dificuldade de assimilar hábitos tão simples de higiene, cobrir a boca ao expirrar ou tossir lavar as mãos limpar os pés ao adentrar ao lugar sagrado, que é nosso lar etc..Como será nosso planeta”em todos os sentidos” se não conseguimos cuidar de nós de nosso lar e de quem amamos! Deus tenha misericórdia!