A concessionária Urban – Mobilidade Urbana evita manifestar-se publicamente sobre o tema, mas estimativas apontam que o déficit acumulado no sistema de transporte coletivo de Anápolis supera a marca de R$ 100 milhões. Esse saldo negativo começou a se desenhar a partir da assinatura dos contratos nº 172 e 173, em 24 de agosto de 2015. Atualmente, a própria operadora confirma que o rombo mensal do serviço gira em torno de R$ 4 milhões.
Três fatores principais justificam o colapso financeiro histórica do setor na cidade. O primeiro deles é a severa redução no volume de passageiros, que despencou de 2 milhões mensais, em 2015, para apenas 700 mil atualmente — queda agravada pela pandemia e pela popularização dos veículos de aplicativo. O segundo fator diz respeito à alta acentuada nos custos dos insumos previstos em planilha, como óleo diesel, manutenção e encargos trabalhistas. Por fim, a ausência histórica de subsídios públicos para cobrir a defasagem operacional acabou forçando a manutenção de uma das tarifas mais caras de todo o país.
Em termos de governança, a gestão dos contratos migrou da Companhia Municipal de Trânsito e Transportes (CMTT) para a Agência Reguladora do Município (ARM) em maio de 2021. Contudo, foi a partir de janeiro de 2025 que a nova administração municipal iniciou um processo profundo de avaliação para readequar as bases contratuais, definindo claramente os papéis e as obrigações da concessionária e do poder público.
Sob a liderança do prefeito Márcio Corrêa (PL), que assumiu o transporte coletivo como prioridade, Anápolis obteve uma vitória importante em julho de 2026: a assinatura de um decreto pelo governador Daniel Vilela (MDB) concedendo isenção de ICMS sobre o óleo diesel da frota. Segundo Carlos Leão, diretor jurídico da Urban, o impacto imediato da medida representa um alívio de R$ 350 mil por mês. Ele pontua que, embora seja um passo indispensável, a isenção é apenas uma de várias ações necessárias para requalificar o serviço e baratear as passagens.
O avanço na área é iminente devido ao alinhamento com a prefeitura e o governo estadual. Além disso, o município garantiu recursos do PAC Mobilidade para substituir 160 ônibus — avaliados em R$ 1 milhão cada. Atualmente, a Urban conta com 600 funcionários que aguardam a definição da data-base salarial. O custo real por passageiro no sistema é de R$ 10, pressionado por 40% de gratuidades, enquanto as tarifas vigentes são de R$ 5,25 no cartão e R$ 6 em dinheiro.
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