Dados mostram aumento de consumo; especialistas alertam para os riscos à saúde, especialmente entre jovens
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) revelou uma alta de 24% no consumo de cigarros eletrônicos entre brasileiros em 2024, alcançando 2,6% da população adulta — cerca de quatro milhões de pessoas. Paralelamente, a Vigitel apontou que 9,3% da população brasileira adulta ainda se declara fumante, totalizando 19,6 milhões de indivíduos. O aumento no uso de dispositivos eletrônicos, especialmente entre jovens, preocupa especialistas, como a pneumologista Daniela Campos, que alerta sobre os impactos perigosos desse hábito.
A especialista explica que, embora sejam apresentados como modernos e atrativos — com designs customizados, sabores variados e o diferencial de não deixar odores desagradáveis —, os cigarros eletrônicos estão longe de ser opções seguras. Campos destaca casos registrados de EVALI (lesão pulmonar relacionada a produtos de vaporização), que causa insuficiência respiratória grave, além do “pulmão de pipoca”, uma bronquiolite obliterante associada ao uso desses produtos.
Malefícios comprovados
“Mesmo sem nicotina, os dispositivos continuam sendo perigosos por conter substâncias tóxicas como propilenoglicol, amônia e chumbo. O problema não se limita ao usuário: a fumaça também afeta terceiros, podendo causar doenças como asma e enfisema pulmonar”, alerta Campos.
Engano do mercado
Ao chegar ao mercado, os cigarros eletrônicos foram promovidos como alternativas para largar o cigarro comum. No entanto, segundo a pneumologista, essa promessa é falsa. A dificuldade de medir a quantidade de nicotina e o uso de substâncias como THC (derivado da maconha) reforçam a nocividade do produto, fazendo dele uma ameaça à saúde pública.
Mesmo com propostas legislativas para regulamentar o uso no Brasil, sociedades médicas como a Sociedade Brasileira de Pneumologia continuam firmes em se opor à comercialização legal desses dispositivos, citando exemplos preocupantes de países onde sua liberação resultou no aumento de internações e problemas crônicos. Conselhos médicos insistem na manutenção da proibição como medida essencial para proteger a saúde pública.
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