Medida foi tomada após registro de reações graves no país
O Ministério da Saúde anunciou na segunda-feira (08/06) a suspensão da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, após a identificação de 42 casos de reações severas em diferentes regiões do país. Entre os registros, estão duas mortes suspeitas que ainda estão sob investigação.
Entre os efeitos relatados, pacientes apresentaram dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Segundo o Ministério da Saúde, três casos foram considerados graves.
Casos registrados
De acordo com a pasta, os eventos representam cerca de 0,008% do total de 500 mil doses aplicadas até 30 de maio. O governo ressalta, no entanto, que ainda não há confirmação de relação causal entre os casos e o imunizante.
A estratégia de vacinação com a vacina do Butantan começou em janeiro deste ano. Inicialmente, o público-alvo incluía profissionais de saúde da Atenção Primária. Depois, a campanha foi ampliada para moradores de três municípios — Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) — além da região de Araguaína (TO).
Antes da suspensão, o imunizante havia sido incorporado após aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com estudos que apontavam segurança e eficácia.
“Primeiro, trata-se de uma ação de precaução que deve sempre orientar quem respeita a vida e a ciência”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Orientações
Quem já tomou a vacina deve observar o próprio estado de saúde por até 21 dias após a aplicação. Em caso de sintomas como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência excessiva ou sinais de desidratação, a recomendação é procurar atendimento médico imediato.
O Ministério da Saúde informou ainda que pessoas vacinadas seguem protegidas contra os quatro sorotipos da dengue.
Investigação
O governo afirma que não há indícios de falhas no armazenamento, transporte ou aplicação das doses, mas todas as hipóteses seguem em investigação.
As vacinas já distribuídas permanecerão armazenadas na rede pública até a conclusão das análises. Ainda não há previsão para retomada da vacinação.
Segundo o Ministério da Saúde, a vacina passou por todas as fases de testes clínicos e apresentou eficácia geral de 65% contra a doença e mais de 80% contra casos graves.
A pasta reforça que os eventos registrados são raros e seguem sob análise conjunta com a Anvisa e o Instituto Butantan.
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