O dever de votar é também o direito que cada cidadão tem de influenciar decisões futuras
Neste domingo, 29 de novembro, chega ao fim um ciclo iniciado há pelo menos um ano. A votação do 2º turno das eleições 2020 em Anápolis é o ponto alto – e definitivo – de um processo que envolveu partidos e filiados por vários meses e que reserva agora ao eleitor o poder de escolha entre dois projetos.
Em um lado está o prefeito da cidade, Roberto Naves, que busca a reeleição pelo PP. Do outro está o deputado estadual petista Antônio Gomide, que tenta retornar à administração anapolina após ter sido eleito duas vezes prefeito.
Naves e Gomide polarizaram a eleição do começo ao fim e poucos acreditavam que essa segunda etapa do processo eleitoral teria nomes diferentes. Em uma cidade acostumada a surpresas saídas das urnas, a experiência na gestão pública pesou a favor dos dois adversários.
As últimas horas de campanha até o dia da votação pouco servem para mudar a cabeça do eleitor. A convicção do nome preferido está consolidada para a maioria. O desafio agora é reafirmar a importância de ir às urnas no próximo domingo.
A iniciativa de participar do processo de escolha do administrador da cidade deveria carregar em si todo o peso que o gesto representa. Afinal, o resultado das urnas ditará o futuro de Anápolis nos próximos quatro anos. Ou talvez mais que isso (em 2000, os anapolinos votaram em um prefeito que acabou sendo cassado pela Câmara Municipal e os efeitos disso perduraram por um longo período).
O voto é o único momento em que todos os cidadãos são iguais. Não importa classe social, renda, cor ou credo religioso, a opção que todos digitam na urna tem o mesmo peso.
Quem desiste de ir votar faz a escolha por uma neutralidade que desfavorece a boa política. A abstenção é a opção por lavar as mãos diante de uma decisão difícil. É se omitir perante a coletividade, o que equivale a abrir mão de ser cidadão.
Quem não vota paga multa. Pouco importa que o valor seja irrisórios R$ 3,50. A penalidade é aplicada para quem descumpre a lei. E para aquele que reclama dos políticos, o mínimo que se espera é que seja um cumpridor de seus deveres.
Em nome da história, Anápolis deveria ser uma das cidades com índices baixos de abstenção. Isso porque a cidade fez parte de um seleto – e infeliz – grupo que no Regime Militar teve cassado o direito de escolher seu prefeito pelo voto direto. Por 12 anos, aquele que era colocado na chefia do Executivo era escolhido nos gabinetes em Brasília, por gente que desconhecia por completo as necessidades da população local.
A redemocratização nos garantiu uma nova Constituição, que trouxe já no seu artigo primeiro a frase definitiva sobre o nosso sistema: “todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.
São 269.556 anapolinos aptos a votar neste pleito. O futuro de uma cidade com quase 400 mil habitantes passa pela decisão de cada um desses eleitores em avaliar as opções e exercer o direito/obrigação de depositar seu voto na urna.