Testes laboratoriais, genéticos e de imagem auxiliam na avaliação precoce da saúde do coração
As doenças cardiovasculares podem evoluir silenciosamente durante anos, sem apresentar sinais claros. Por isso, a avaliação médica e o acompanhamento de fatores de risco são importantes para identificar alterações que podem comprometer a saúde do coração.
Nos primeiros cinco meses de 2026, o Brasil registrou 166.110 internações e 14.316 óbitos relacionados a infarto agudo do miocárdio e insuficiência cardíaca, segundo dados do DataSUS. As doenças cardiovasculares, de forma geral, representam cerca de 31% das mortes no país e chegam a aproximadamente 400 mil óbitos por ano, conforme informações da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).
O cenário reforça a importância da prevenção, principalmente entre pessoas que ainda não apresentam sintomas. Nesse contexto, exames laboratoriais, genéticos e de imagem podem auxiliar os profissionais de saúde na identificação de fatores de risco, predisposições hereditárias e alterações estruturais ou funcionais.
Especialistas da Dasa destacam quatro tipos de exames que podem fazer parte dessa avaliação.
Exames laboratoriais
Os exames de sangue estão entre as ferramentas utilizadas para investigar fatores associados ao risco cardiovascular. Entre eles estão o perfil lipídico completo, com colesterol e triglicerídeos, a glicemia em jejum, a hemoglobina glicada e a proteína C reativa ultrassensível.
Segundo a endocrinologista e gerente médica do Laboratório Santa Luzia, dra. Cristina Khawali, esses exames permitem avaliar o risco cardíaco sob a perspectiva metabólica.
“Exames de sangue como perfil lipídico completo (colesterol e triglicerídeos), glicemia em jejum, hemoglobina glicada e proteína C reativa ultrassensível nos permitem avaliar o risco cardíaco sob a perspectiva endocrinológica”, explica.
A médica ressalta que alterações nos níveis de glicose e lipídios podem indicar riscos metabólicos antes que ocorra um comprometimento mais avançado das artérias. A identificação precoce dessas alterações pode orientar mudanças no estilo de vida e tratamentos preventivos, conforme a avaliação de cada paciente.
Avaliação genética
Os exames genéticos também podem contribuir para identificar predisposições relacionadas a determinadas doenças cardiovasculares e metabólicas.
O médico geneticista da Dasa Genômica e do laboratório Sérgio Franco, no Rio de Janeiro, dr. Gustavo Guida, destaca o uso do Sequenciamento de Nova Geração (NGS), tecnologia que analisa o DNA em busca de mutações associadas a algumas condições.
“Por meio da tecnologia de Sequenciamento de Nova Geração (NGS) – que analisa o DNA do paciente em busca de mutações raras ligadas a doenças metabólicas e vasculares –, essa avaliação possibilita identificar a predisposição genética e o risco de forma individualizada”, afirma.
Segundo o especialista, a análise também pode auxiliar na avaliação de familiares de primeiro grau quando houver indicação. O rastreamento pode ser considerado, por exemplo, diante de suspeita de predisposição hereditária para aterosclerose precoce ou alterações nos níveis de lipídios.
Angiotomografia
A aterosclerose, caracterizada pelo acúmulo de placas nas artérias, pode permanecer silenciosa por anos. Em alguns casos, alterações nas coronárias estão presentes antes do aparecimento de sintomas.
A angiotomografia das coronárias é um exame de imagem que permite visualizar diretamente as artérias do coração e identificar placas e possíveis estreitamentos.
A cardiologista da clínica CDPI e do laboratório Bronstein, no Rio de Janeiro, Dra. Fernanda Erthal, explica que o exame fornece informações sobre a localização, o tamanho e a composição das placas.
“A aterosclerose começa de forma silenciosa, muito antes de qualquer sintoma aparecer. O problema é que uma placa não precisa estar obstruindo de forma significativa a artéria para ser perigosa: ela pode se romper de repente e causar um infarto”, afirma.
Outro aspecto destacado pela especialista é a capacidade do exame de ajudar a descartar doença coronariana obstrutiva quando o resultado é negativo. Nesses casos, a avaliação pode contribuir para evitar exames invasivos, como o cateterismo, quando eles não forem necessários.
A angiotomografia das coronárias é contemplada em diretrizes internacionais para a avaliação da doença arterial coronariana. A indicação, porém, depende das características e do histórico de cada paciente.
Ecocardiograma
O ecocardiograma utiliza ondas de ultrassom para produzir imagens do coração em movimento. O exame permite observar as câmaras cardíacas, as válvulas e a capacidade de contração do órgão.
Segundo o médico do serviço de ecocardiograma do Laboratório Exame, no Distrito Federal, Dr. Samuel Rabelo, o procedimento pode identificar alterações estruturais e funcionais que, em alguns casos, ainda não provocam sintomas.
“Por meio dessas imagens, conseguimos avaliar as câmaras cardíacas, as válvulas e a capacidade de contração do coração. Com isso, podemos identificar alterações estruturais e funcionais que, em alguns casos, ainda não provocam sintomas”, explica.
Dependendo dos resultados e do perfil do paciente, as informações obtidas podem indicar a necessidade de acompanhamento ou de uma investigação complementar.
Avaliação individual
Embora esses exames possam auxiliar na identificação de fatores de risco e alterações cardiovasculares, eles não são indicados indiscriminadamente para todas as pessoas.
Histórico familiar, idade, pressão arterial, colesterol, diabetes, tabagismo, obesidade, sedentarismo e outros fatores podem influenciar a decisão sobre quais exames são necessários.
Por isso, a realização dos testes deve ser definida com orientação profissional. A avaliação individual permite identificar os principais fatores de risco e estabelecer quais medidas de prevenção, acompanhamento ou investigação são adequadas para cada paciente.
Junte-se aos grupos de WhatsApp do Portal CONTEXTO e fique por dentro das principais notícias de Anápolis e região. Clique aqui.
