Durante muitos anos, Anápolis foi apontada como a segunda maior força econômica de Goiás. Sua localização estratégica, o Distrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA), o polo farmacêutico e a posição entre Goiânia e Brasília alimentavam a expectativa de que a cidade liderou o desenvolvimento do interior do estado.
Hoje, os dados mostram um cenário mais complexo. A economia continua crescendo, mas outras cidades cresceram mais rápido. O resultado é uma perda de protagonismo que merece atenção.
Os números do Produto Interno Bruto (PIB) municipal ilustram essa mudança. Anápolis permaneceu por anos na segunda posição estadual, mas foi ultrapassada por Aparecida de Goiânia e, posteriormente, por Rio Verde, caindo no ranking das maiores economias goianas. Ou seja, a cidade continuou produzindo riqueza, porém perdeu espaço relativo para municípios que conseguiram acelerar investimentos, diversificar atividades e ampliar sua capacidade de atrair negócios.
Outro sinal está na competitividade. O Ranking de Competitividade dos Municípios registrou queda de posições para Anápolis, indicando dificuldades em acompanhar o desempenho de cidades que avançaram em indicadores relacionados ao ambiente de negócios, infraestrutura, inovação e eficiência da gestão pública.
Enquanto isso, Rio Verde consolidou um modelo econômico fortemente integrado ao agronegócio e à agroindústria, com elevada capacidade de geração de riqueza. Estudos mostram que sua estrutura produtiva desenvolveu maior integração entre os setores econômicos, fortalecendo o crescimento local e regional.
Aparecida de Goiânia, por sua vez, diversificou sua economia, ampliou investimentos em serviços, indústria e mercado imobiliário, registrando uma expansão do PIB superior à observada em Anápolis ao longo da última década.
Mesmo Senador Canedo, embora possua uma economia menor, apresentou crescimento acelerado em alguns indicadores empresariais, como a abertura de empresas e organizações, em ritmo superior ao de Anápolis.
Isso significa que Anápolis regrediu? Não necessariamente. A cidade continua entre as principais economias de Goiás e mantém importantes ativos industriais. O problema é outro: ela deixou de crescer na mesma velocidade que seus concorrentes.
Esse é um tipo de retrocesso silencioso. Não aparece apenas na redução de posições em rankings, mas na perda de capacidade de liderar. Enquanto outras cidades aproveitam oportunidades para ampliar sua competitividade, Anápolis viu seu protagonismo diminuir.
O maior risco é não perder uma posição em um ranking. É acostumar-se com essa perda como se ela fosse inevitável.
Anápolis reúne localização privilegiada, tradição industrial e capital humano para voltar a liderar. Mas isso exige planejamento de longo prazo, investimentos em infraestrutura, inovação, mobilidade e qualificação profissional. Sem essas escolhas, a cidade continuará crescendo em números absolutos, enquanto perde espaço relativo para municípios que transformam crescimento econômico em vantagem competitiva.
Rebeca Romero é jornalista, luta pelas causas sociais e pré-candidata a deputada federal por Goiás.
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