Por natureza, eu me considero otimista. Não me abato facilmente diante de situações complexas e sempre tenho a tendência de olhar o melhor lado das coisas, de acreditar que o resultado será sempre bom. Também me considero fleumático, com todas as variáveis negativas e positivas desta autodefinição.
Mas devo dizer que, nestes últimos dias, estou pessimista, incrédulo e cínico. Não em relação à minha fé, nem às minhas convicções religiosas, mas em relação ao Brasil. Estou assustado com as notícias, apesar de já termos passado por situações bizarras de desacertos, corrupção, desmandos e autoritarismo em nome da democracia.
Sinto-me impotente diante de tantas pessoas condenadas por causa do evento do 8 de janeiro. Como estudante e pastor, já estive em manifestações públicas e, se tivesse participado dessa, poderia estar na cadeia cumprindo pena de 14 anos por ser um “terrorista”. Há penas escandalosas e severas para atos de vandalismo e para uma manifestação popular marcada pela balbúrdia.
Nesta semana, meu pessimismo se aprofundou. Depois das denúncias do Ministro André Mendonça e do consequente alinhamento do Poder Executivo ao sistema jurídico — ministros do STF, Procuradoria-Geral da República (PGR) e Polícia Federal —, além dos presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, minha leitura é a de que Mendonça será condenado e eventualmente irá para a cadeia por ter quebrado normas regulamentares do STF. Ele é um ministro isolado, que decidiu denunciar um sistema comprometido por todos os lados, e à frente dele está o grande interesse de se preservarem os culpados.
Você não precisa concordar comigo, mas precisa lembrar que, no Brasil, é fácil anular sentenças, questionar processos, absolver culpados e condenar inocentes por meio de artifícios legais e chicanas jurídicas.
Desta vez, a imprensa conseguiu, inicialmente, estabelecer alguma crítica denunciando as ações imorais da alta cúpula, mas, se prestarmos atenção, ela já começou a questionar as motivações, pois estamos em ano eleitoral.
Quando fico abatido considerando esses fatos, logo me lembro do relato bíblico em que Judá foi cercado por uma aliança de exércitos inimigos numerosos (moabitas e amonitas). Diante do medo e da falta de recursos humanos para vencer a batalha, Josafá admitiu ser fraco, reuniu o povo em jejum e oração e declarou: “Porque em nós não há força para resistirmos… porém os nossos olhos estão postos em ti”.
Pôr os olhos em Deus representa a total dependência do socorro divino quando as forças e soluções humanas se esgotam. Em resposta à postura de fé e oração, veio a vitória. Deus afirmou que a peleja não era deles, mas que Ele mesmo lutaria pelo povo. Ao recordar essa passagem, desafio minha frágil fé e considero que, diante deste cenário, precisamos de algo sobrenatural: um milagre que só um Deus vivo e poderoso pode realizar!
