O crescente número de veículos em trânsito pelas vias centrais e de muitos bairros populosos coloca o Município em estado de alerta para a busca de alternativas viáveis
Anápolis caminha e está bem próxima de entrar para a relação das cidades problemáticas em relação ao trânsito urbano. A despeito dos investimentos feitos nas duas últimas décadas, com a implantação de, pelo menos, quatro viadutos (trincheiras) alargamentos de avenidas e criação de mais espaços, a matemática não bate. A frota municipal em Anápolis é uma das maiores do Brasil, em termos proporcionais. Estamos a quase um veículo por habitante adulto (0,81), bem acima da média nacional (um veículo para 4,4 habitantes). E o número não para de crescer. Daí, a multiplicidade de desafios para as autoridades do setor. E, a equação não é tão simples como possa parecer. Não será com a colocação de mais semáforos, mais placas, redutores de velocidade e outros recursos, que se resolverá o problema. O caminho é mais longo e mais árduo. E, passa por uma rígida política educacional de trânsito, de alternativas de deslocamentos, de melhoria no transporte público e, acima de tudo, de respeito à lei. Estaríamos, assim, bem distante do que se possa considerar ideal.
Como as cidades em desenvolvimento acelerado, Anápolis depende, também, de cuidados hoje, a fim de que não seja penalizada amanhã, para a população não sofrer como as de outras comunidades que, igualmente, não têm uma sistemática de tráfego aceitável. E, a busca de soluções é “para ontem”. Os anapolinos já sentem, em grande parte, os reflexos dos congestionamentos, da falta de alternativas para trafegarem pelas ruas, principalmente da “cidade velha”, mal traçadas e mal vigiadas. Os abusos se repetem, se multiplicam, o que faz lembra o drama vivido pelas populações das grandes metrópoles, guardadas as proporções.
Sistemática comprometida
Em termos gerais, a situação do trânsito no Brasil é frequentemente citada entre as mais caóticas do mundo devido a uma combinação de fatores que comprometem a fluidez, a segurança e a eficácia do transporte urbano. Diversos estudos e índices de mobilidade urbana apontam que as cidades brasileiras têm altos índices de congestionamento, acidentes, sinistros, e outras anomalias, além de um sistema de transporte público sobrecarregado e ineficiente. Há raríssimas exceções. Por enquanto, os problemas são especialmente graves nas grandes cidades, onde a falta de infraestrutura adequada e o crescimento populacional desenfreado agravam a situação. O ranking nacional aponta que as piores comunidades do Brasil em mobilidade urbana, ou, mais problemáticas em termos de trânsito e mobilidade, incluem São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Salvador.
As consequências são muitas e, dentre elas, a lentidão e os congestionamentos, que resultam em perdas econômicas significativas. Estudos da Fundação Getúlio Vargas mostram que o Brasil perde bilhões de reais anualmente em produtividade devido ao tempo que os trabalhadores ficam parados no trânsito. Empresas enfrentam aumentos no custo logístico, que por sua vez refletem nos preços dos produtos e serviços, o que impacta toda a economia. Sem contar que, o consumo excessivo de combustível nos congestionamentos aumenta os custos individuais e a poluição atmosférica, encarecendo o transporte de bens e afetando o poder de compra da população.
Reflexos sociais
É sabido que os impactos sociais do trânsito no Brasil, também, são alarmantes. Longas jornadas diárias nas cidades resultam em uma piora na qualidade de vida o que afeta tanto a saúde física, quanto a saúde mental da população. O estresse do trânsito gera maiores níveis de ansiedade e irritabilidade e está ligado a problemas como hipertensão e doenças cardiovasculares. Além disso, a ineficiência no transporte público agrava as desigualdades sociais e limita o acesso ao trabalho e à educação para populações de baixa renda.
Anápolis, a exemplo de outras cidades do mesmo porte, já experimenta vários desses recortes. A cidade cresceu de maneira desorganizada, sem o planejamento adequado para acomodar a crescente população urbana. O aumento do número de carros particulares nas ruas, incentivado pela facilidade de financiamento, levou a uma saturação das vias urbanas. Ruas e avenidas mal planejadas e mal conservadas não suportam o fluxo de veículos atual, resultando em gargalos e acidentes frequentes. Sem contar que a falta de um sistema de transporte coletivo de qualidade, integrado e acessível, força mais pessoas a dependerem de veículos particulares. E, tem, ainda, o fato cultural onde o carro é visto como símbolo de status e independência, o que acaba por levar à dependência do transporte particular e ao aumento da frota.
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