A Suprema Corte britânica analisará recursos em fevereiro de 2027
Felipe Massa terá um novo capítulo na disputa judicial pelo Mundial de Fórmula 1 de 2008. A Suprema Corte do Reino Unido marcou para os dias 2 e 3 de fevereiro de 2027 a audiência dos recursos apresentados por Bernie Ecclestone, pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e pela Formula One Management (FOM). As partes tentam impedir que a ação movida pelo brasileiro avance para um julgamento completo.
O ex-piloto busca uma indenização de aproximadamente 64 milhões de libras, equivalente a cerca de R$ 439 milhões, por prejuízos financeiros que atribui à perda do título mundial para Lewis Hamilton. Segundo Massa, o valor considera oportunidades comerciais e ganhos que ele poderia ter obtido caso conquistasse o campeonato.
A audiência, porém, não decidirá se o brasileiro tem direito à indenização. Os ministros analisarão os fundamentos jurídicos que permitem a continuidade de parte da ação, especialmente a acusação de conspiração por meios ilícitos. Se os recursos forem aceitos, o processo poderá ser encerrado antes de um julgamento completo. Caso contrário, Massa poderá prosseguir com a disputa na Justiça britânica.
Caso Singapura
A origem do processo está no Grande Prêmio de Singapura de 2008, marcado pelo episódio conhecido como Crashgate. Na ocasião, Nelsinho Piquet bateu deliberadamente o carro da Renault para favorecer a estratégia de seu companheiro de equipe, Fernando Alonso, conforme as conclusões posteriores sobre o caso.
Naquele momento, Massa liderava a corrida, mas perdeu posições após uma parada nos boxes durante a entrada do safety car. Além disso, uma falha no pit stop da Ferrari fez com que o brasileiro deixasse os boxes com a mangueira de combustível ainda presa ao carro. Ele terminou em 13º lugar, fora da zona de pontuação, enquanto Hamilton cruzou a linha de chegada na terceira posição.
Ao fim da temporada, Hamilton conquistou o título com apenas um ponto de vantagem sobre Massa: 98 a 97. O brasileiro sustenta que dirigentes da categoria já tinham conhecimento da manipulação durante o campeonato e que a falta de uma investigação em tempo hábil comprometeu suas chances de conquistar o Mundial.
A decisão ocorreu no Grande Prêmio do Brasil, última corrida da temporada. Nas voltas finais, Hamilton ultrapassou o alemão Timo Glock, da Toyota, e garantiu os pontos necessários para superar Massa na classificação.
Em entrevista à CNN Esportes, em 2024, Massa comentou a mágoa que guarda de Nelsinho Piquet por sua postura após o episódio.
“Eu guardo [mágoa] porque o Nelsinho Piquet logicamente não bateu o carro por querer, para tirar o meu título. Ele bateu o carro em acordo com a equipe para negociar o contrato dele para o ano seguinte, que foi muito feio, algo inaceitável. Mas eu acho que depois de um tempo ele não ser a favor de um outro piloto que perdeu um título por algo que não foi culpa dele, que foi culpa do Nelsinho e da equipe, eu acho que isso sim me traz muito rancor dele, não apoiar a decisão”, admitiu Massa.
A disputa judicial ganhou força após uma entrevista concedida por Ecclestone em 2023, na qual o ex-dirigente afirmou que tinha conhecimento antecipado do episódio. Em março de 2024, Massa formalizou a ação contra Ecclestone, a FIA e a FOM.
Disputa judicial
Em novembro de 2025, a Justiça britânica decidiu que parte do processo poderia continuar. O tribunal considerou que a alegação de conspiração apresentada pela equipe jurídica de Massa tinha fundamento suficiente para seguir em análise, embora tenha rejeitado os pedidos relacionados à declaração de que o brasileiro deveria ter sido campeão mundial.
Em junho de 2026, os réus obtiveram autorização para recorrer à Suprema Corte. O tribunal deverá examinar os argumentos apresentados pelas partes para definir se a acusação remanescente poderá continuar ou se será rejeitada.
A ação não tem como objetivo retirar diretamente o título de Hamilton nem alterar oficialmente o resultado esportivo de 2008. Massa busca uma reparação financeira pelos danos que afirma ter sofrido em razão dos acontecimentos de Singapura e de seus desdobramentos. A FIA, a FOM e Ecclestone contestam as alegações.
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