Um encontro inusitado chamou a atenção na manhã da última terça-feira (11), em um setor de chácaras próximo à Vila Fabril, em Anápolis. O empresário Mário Forlin encontrou, a poucos metros de sua propriedade, um filhote de onça-preta, aparentemente com três a quatro meses de vida, debilitado e assustado à margem de uma estrada vicinal.
Conhecido também por seu envolvimento com questões ambientais, Forlin classificou o encontro como uma “feliz surpresa”. Ao perceber o animal, ele tomou os cuidados necessários para evitar riscos ao trânsito e às pessoas que circulavam pelo local e, com a ajuda de amigos e vizinhos, realizou o resgate.
O filhote, segundo ele, apresentava comportamento bastante agressivo, provavelmente em razão do medo e das condições em que se encontrava. “Estava muito fraquinho. Temei que, se isso não fosse feito de imediato, ele certamente correria risco de morte”, relatou.
Cuidados imediatos
Diante do estado aparente de debilidade do animal, Forlin decidiu levá-lo para sua chácara, onde passou a oferecer hidratação e alimentação adequada. A intenção, segundo o empresário, era recuperar as condições físicas do filhote antes de entregá-lo aos órgãos responsáveis pelo atendimento à fauna silvestre.
Durante os cinco dias em que permaneceu sob seus cuidados, o animal apresentou melhora visível. Forlin, então, comunicou o caso ao Corpo de Bombeiros de Anápolis no fim da manhã deste domingo (15), para que fossem adotadas as providências necessárias.
Conforme informado pelos bombeiros, o filhote será encaminhado para o Centro de Recuperação de Animais Silvestres (Cras), em Goiânia, onde deverá receber atendimento especializado e passar por avaliação da equipe responsável.
O destino posterior do animal dependerá das condições de saúde e das avaliações técnicas realizadas no centro especializado.
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Raridade genética
Para Forlin, o encontro teve um significado especial. Segundo ele, a onça-preta é uma “raridade” e encontrar um filhote dessa variedade tão próximo de sua propriedade foi uma experiência marcante.
Apesar de popularmente ser chamada de onça-preta, a classificação científica é a mesma da onça-pintada: Panthera onca. A diferença está no chamado melanismo, uma variação genética que provoca maior concentração de melanina e deixa a pelagem predominantemente negra.
Mesmo nos indivíduos melânicos, as rosetas — desenhos característicos da pelagem da onça-pintada — continuam presentes e podem ser percebidas dependendo da iluminação. A espécie é o maior felino das Américas e ocupa o topo da cadeia alimentar. No Brasil, ocorre em diferentes biomas, incluindo o Cerrado.
Família na região
Forlin acredita que a mãe do filhote e possíveis irmãos ainda estejam nas proximidades do local onde o animal foi encontrado. A suspeita não é descartada porque, segundo moradores da região, a presença de onças naquela área não seria inédita.
Vizinhos relatam que, há cerca de dez anos, uma onça-pintada já teria sido avistada nas proximidades. Antes disso, também teria sido registrada a presença de uma onça-preta.
O novo aparecimento reforça a importância da atenção dos moradores de áreas rurais e de chácaras situadas próximas a fragmentos de vegetação. A onça-pintada é uma espécie de grande importância ecológica, mas também exige distância e cautela quando encontrada em áreas de circulação humana.
A recomendação, em situações desse tipo, é não tentar capturar ou alimentar o animal e comunicar os órgãos responsáveis pelo atendimento à fauna silvestre. No caso encontrado na Vila Fabril, a intervenção de Forlin ocorreu em uma situação que, segundo seu relato, envolvia um filhote debilitado e com risco de morte.
Agora, a expectativa é de que o animal se recupere e possa, após avaliação técnica, ter condições de retornar à natureza.
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