A interiorização do projeto de ferrovias no Brasil, dentro da proposta chamada “Marcha Para o Oeste”, nos anos 30, guarda algumas particularidades marcantes. A extensão de linhas ferroviárias a partir do complexo “Mogiana” nome original de uma das mais importantes ferrovias nacionais, a partir de municípios da bacia do Rio Mogi, em São Paulo, resultou em ramificações emblemáticas e, delas, surgiram veios extraordinários, como a Rede Mineira de Viação, com âncora em Araguari, no Triângulo Mineiro, e, na sequência, a Estrada de Ferro Goyaz, (cooptada, posteriormente, pela Rede Ferroviária Federal S/A), que se propunha a ter as composições que atravessariam todo o Estado de Goiás e seguiriam para o Porto de Aruanã, às margens do Rio Araguaia.
O traçado original previa a linha de ferro para o sentido sudoeste, vindo das regiões de Ipameri, Pires do Rio, Silvânia, Leopoldo de Bulhões e Anápolis. A ferrovia cortaria toda a extensão territorial anapolina e se destinaria para a região de Ouro Verde, dentro do que já havia sido projetado. Ainda hoje, existem sinais dessa extensão até Campo Limpo de Goiás. Até o prédio de uma estação permanece, praticamente, intacto, dentro de uma propriedade rural particular naquela região.
Quando da chegada dos trilhos, no início dos anos 30 (a inauguração oficial foi em 1935) ainda não existia Goiânia. A Capital era na Cidade de Goiás, ou, Goiás Velho. Mas, quando Pedro Ludovico Teixeira decidiu mudar a sede do Poder Executivo Goiano para a região de Campinas, que era emancipada mas, hoje, é um bairro goianiense, as coisas começaram a mudar. Mesmo com o empreendimento adiantado e já em operação até Anápolis, no transporte de passageiros e produtos industrializados que chegavam, e, produção primária que ia para os chamados “grandes centros”, a proposta foi abortada parcialmente. A força política do Governo Estadual fez com que, ao invés de seguir o traçado original a partir de Anápolis, os trechos ligariam Leopoldo de Bulhões a Goiânia e de lá, seguiriam para o Vale do Araguaia.
E, quase que Anápolis ficou, até, sem o “ramal” que a ligava a Leopoldo de Bulhões. A extensão até campo Limpo foi abandonada e, inclusive, os trilhos e dormentes arrancados. O projeto só não foi totalmente desmanchado por conta da força dos políticos e empresários de Anápolis à época, embora toda a atenção do Governo Estadual estivesse voltada para a construção da nova capital. Prevaleceu a união político/empresarial, principalmente os atacadistas e cerealistas que já se multiplicavam no Município. Tempos depois, também, por força política, até a linha que conduzia as composições para o centro de Anápolis foi desativada, sob várias alegações.
Hoje, o trem de ferro faz muita falta e o espaço ocupado pela ferrovia, em parte foi invadido e, em parte, acoplado ao território oficial. Mas, a história poderia ser bem outra. A linha urbana, poderia servir para um sistema de transporte de passageiros que ligaria o centro ao Distrito Agro Industrial, principalmente, para o transporte dos trabalhadores. A esperança fica para a ativação definitiva do trecho da Ferrovia Norte Sul, que tem, também, um ramal que liga Anápolis a Ouro Verde. Aí, já é outra conversa…
