
A Fórmula 1 correu no último final de semana de outubro o Grande Prêmio do México, no Autódromo Hermanos Rodríguez. Mais de 400 mil pessoas compareceram ao evento. Segundo dados daquele país, havia uma expectativa de movimentação de mais de US$ 1,2 bilhão durante a semana do Grande Prêmio.
Mas quem esteve no Autódromo Hermanos Rodríguez presenciou muito mais do que uma corrida disputada e cheia de emoções.
A Itália, um dos países que mais atrai público para um Grande Prêmio de Fórmula 1, principalmente, mas não somente, por sua tradicional Ferrari, viu, depois de 73 anos, um jovem piloto voltar a conquistar o título mundial carregando sua bandeira.

Andrea Kimi Antonelli, nascido em 25 de agosto de 2006, tornou-se campeão mundial de Fórmula 1 deste ano com quatro corridas de antecedência. Assim, a Itália encerrou um jejum de 73 anos sem um piloto campeão. O último havia sido Alberto Ascari, em 1953.
Kimi Antonelli também se tornou o campeão mais jovem da história da Fórmula 1. O recorde pertencia ao alemão Sebastian Vettel, que conquistou seu primeiro título mundial em 2010, aos 23 anos, quatro meses e 11 dias.
Antonelli, ao conquistar seu primeiro campeonato, estava com apenas 20 anos e 68 dias. Um feito extraordinário para a principal categoria do automobilismo mundial e, principalmente, para um jovem que chegou à Mercedes para substituir nada mais, nada menos que o heptacampeão Lewis Hamilton. Na sua estreia, tinha apenas 18 anos.
Entre seus feitos até o GP do México estão nove vitórias, sete pole positions, 19 pódios, dez voltas mais rápidas e 43 largadas. Também se tornou o piloto mais jovem a conquistar uma pole position, a registrar uma volta mais rápida e a conquistar um grande chelem — quando o piloto faz a pole, registra a volta mais rápida, vence a prova e lidera todas as voltas. É, literalmente, a corrida perfeita.
Mesmo tendo o direito de utilizar o número 1 em seu carro, Antonelli decidiu manter o número 12, que o acompanha desde o início da carreira. Segundo ele, o número lhe traz sorte e foi utilizado por seu grande ídolo, Ayrton Senna.
E parece que a superstição funciona.
No domingo, ao subir ao pódio em terceiro lugar no México, Antonelli teve ao seu lado Lewis Hamilton e Max Verstappen. Somados, os três representavam nada menos que 12 títulos mundiais.

Agora, o campeão chega ao Brasil ainda mais leve e cheio de expetativas. Prometendo utilizar um capacete em homenagem a Ayrton Senna e ao Brasil, Antonelli desembarca em Interlagos não mais pressionado pela disputa do campeonato, mas com o título garantido.
Se, em outras oportunidades, acuado e brigando por pontos, ele já mostrou todo o seu talento, imagine agora, chegando ao Brasil como campeão mundial.
E há ainda outro número impressionante envolvendo a Fórmula 1 no Brasil.
Em 2025, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), elaborado com dados da Secretaria Municipal de Turismo e do Observatório do Turismo da SPTuris, o GP de São Paulo movimentou R$ 2,3 bilhões, crescimento real de 9,7% em relação a 2024. Neste ano, a expectativa é de uma média de 100 mil pessoas por dia de evento.
Interlagos receberá um campeão mundial italiano, um jovem de apenas 20 anos, fã de Ayrton Senna, carregando o número 12 e chegando ao Brasil para correr pela primeira vez como dono do título mundial.
E, conhecendo a história de Senna com Interlagos, talvez o Brasil seja justamente o lugar onde Antonelli queira escrever mais um capítulo dessa história.
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