A corrupção no Brasil não mora só em Brasília. Ela mora na padaria, no supermercado e no escritório. Foi o que destacou o ministro do STF e vice-presidente do TSE, André Mendonça, ao ser questionado se há jeito de acabar com o problema. Para ele, a resposta depende de toda a sociedade.
Por Vander Lúcio Barbosa
“Depende de cada um de nós. Depende dos agentes públicos, sim. Depende dos cidadãos também, de nós sermos honestos em tudo”, afirmou.
Mendonça citou exemplos cotidianos: o troco errado mantido no bolso, a relação com colegas de trabalho, o atestado falso, a fraude no medidor de energia ou a sonegação de notas fiscais. Pequenas desonestidades que a cultura brasileira insiste em normalizar como esperteza.
E é verdade! Precisamos trazer à tona a corrupção privada — tema pouco debatido e sem legislação específica no país. Trata-se do desvio de recursos dentro de empresas e da violação da confiança entre patrões, sócios e clientes. Essa perspectiva desmonta a ideia confortável de que o corrupto é apenas o político. É uma engrenagem coletiva.
Isso não isenta quem ocupa cargos públicos. Apoiando-se na teoria do agente principal, o ministro defendeu que magistrados, membros do Ministério Público e policiais carregam um ônus qualificado, pois administram a confiança da sociedade. Quem aceita furar uma fila no cotidiano é quem, eventualmente, aceitará vender facilidades no setor público.
Por isso, a mudança não pode ser seletiva. O combate à corrupção começa no balcão da padaria, na escola, no condomínio, nas esquinas antes de chegar aos plenários de Brasília.
Enquanto a honestidade for uma exigência reservada apenas aos outros, a corrupção continuará se reciclando. A mudança só ocorrerá quando a esperteza voltar a ser vista como o que realmente é: uma grave quebra de confiança.
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