
Começou no último dia 12 e se estenderá até 18 de outubro, no Centro de Exposições Paris Expo Porte de Versailles, na França, o Mondial de l’Auto Paris 2026, um dos mais tradicionais salões do automóvel do mundo.
Em sua 91ª edição, o evento espera receber mais de meio milhão de visitantes. Mais do que uma grande vitrine de novidades, Paris será palco de uma disputa que ultrapassa tecnologia, potência e preço: a briga pela preferência do consumidor europeu.
Ao lado das tradicionais marcas do Velho Continente, estarão fabricantes chinesas que avançaram rapidamente sobre mercados antes dominados por europeus, japoneses e americanos. Mais de 100 marcas são aguardadas.
E parece que as tradicionais entenderam que, para reagir, não basta apenas apresentar bons carros. É preciso mexer com o coração do consumidor.
Peugeot, Citroën, Alfa Romeo, Honda e tantas outras enfrentam um mercado cada vez mais competitivo, no qual preço, tecnologia e eletrificação passaram a pesar muito na decisão de compra. Algumas estão investindo pesado, outras fazendo parcerias e aquisições. E algumas começam a recorrer a uma arma poderosa: a memória.
Um dos melhores exemplos é o Citroën 2CV. Lançado em 1948, o pequeno francês se transformou em um dos automóveis mais queridos da história e chegou a ser chamado de “Fusca francês”. Agora, a marca resgata o conceito em uma releitura moderna e elétrica. É tecnologia, mas também nostalgia. É uma tentativa de transformar lembrança em desejo.

A Smart segue caminho parecido com o novo #2, resgatando a imagem descolada e urbana que tornou o ForTwo tão conhecido. O pequeno modelo elétrico aposta justamente na identidade que conquistou uma geração.

E a Peugeot decidiu falar diretamente ao coração dos apaixonados por competição. O lendário 205 T16, campeão do Grupo B do Mundial de Rally, ganha uma releitura elétrica com o E-T16 Concept. São três motores elétricos, 816 cv, tração integral, 0 a 100 km/h em impressionantes 2,5 segundos e velocidade máxima de 300 km/h.
A Fiat também aproveita o momento para apresentar os SUVs derivados do Grande Panda, entre eles os modelos Grizzly e Grizzly Fastback, que já foram flagrados em testes no Brasil.
Paris, portanto, será muito mais do que um salão de automóveis.
Será um laboratório para descobrir se as marcas tradicionais conseguirão recuperar espaço usando uma combinação poderosa: tecnologia, desempenho, preço e emoção.
Porque, diante da força dos chineses, talvez tenha chegado a hora de as marcas tradicionais descobrirem que, no automóvel, nem tudo se vende pela razão.
Algumas coisas ainda precisam entrar pelo coração.
Agora resta saber se o coração do consumidor será suficiente para recolocá-las no caminho das vendas.
No mercado automotivo, informação continua sendo o melhor opcional.
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