Produção goiana ambientada em 1976 aposta em narrativa sensorial e mergulho nos conflitos humanos internos
Ambientado na Anápolis de 1976, o filme Quando os Dias Ficam Amarelos constrói uma narrativa intimista e densa ao acompanhar a trajetória de dois personagens marcados por conflitos internos e pelo peso de suas próprias histórias.
Dolores e Santiago vivem mais do que uma relação conjugal. Compartilham silêncios, frustrações e uma sensação constante de deslocamento. Ela, tomada por incertezas sobre o futuro. Ele, um escritor em crise, aprisionado a lembranças que se recusam a desaparecer.
A obra não se apoia em soluções fáceis. Ao contrário, convida o espectador a mergulhar em um universo emocional onde passado e presente se confundem, revelando personagens que refletem uma geração silenciosa, marcada por sonhos interrompidos.
Narrativa sensorial
Mais do que contar uma história, o filme propõe uma experiência. A construção de um “universo paralelo” dentro da mente dos personagens é o eixo central da narrativa.
A montagem fragmentada rompe a linearidade tradicional. Memórias surgem como presenças vivas, e o tempo deixa de ser cronológico para se tornar emocional. O espectador não apenas acompanha — ele sente.
Nesse contexto, o título ganha força simbólica. O “amarelo” não representa apenas uma cor, mas um estado de espírito: o desgaste do tempo, a estagnação dos dias e a sensação de uma vida que não avança.




Estética precisa
Cada elemento técnico reforça a proposta da obra. A fotografia, assinada por Absair Weston e Daniel Rodrigues, aposta em tons que evocam memória e desgaste. A direção de arte cria ambientes que parecem aprisionar os personagens em uma atmosfera melancólica.
A edição rompe com padrões convencionais, enquanto a trilha sonora atua como extensão emocional das cenas. Nada é excessivo. Tudo é intencional.
Em um cenário dominado por narrativas rápidas, o filme aposta no silêncio como linguagem. Aqui, a ausência de palavras não representa vazio, mas profundidade.
É no silêncio que Dolores e Santiago revelam suas fragilidades. É nele que o espectador encontra espaço para interpretar, sentir e se conectar com a história.

Repercussão inicial
Mesmo sem lançamento amplo, o trailer da obra já desperta atenção crescente. A estratégia adotada — que instiga sem revelar — tem aproximado o público, criando curiosidade e engajamento.
O acesso ao filme completo ocorre de forma direta, por meio de solicitação nos canais digitais da produção, fortalecendo uma relação mais próxima entre obra e espectador.
Nos bastidores, o filme marca o início da colaboração entre Gildo Ribeiro e Absair Weston. O que começou como um projeto pontual evoluiu para uma parceria consolidada, com diversas produções posteriores — evidência de afinidade artística e construção de linguagem própria.
Com direção e roteiro de Jackeline Weston, Quando os Dias Ficam Amarelos não se limita a entreter. É uma obra que propõe reflexão, provoca sensações e permanece com o espectador mesmo após o fim.
Mais do que assistir, é preciso absorver.
Trailer
Junte-se aos grupos de WhatsApp do Portal CONTEXTO e fique por dentro das principais notícias de Anápolis e região. Clique aqui.
