Comunidade anapolina mantém viva a memória das vítimas de uma tragédia que marcou gerações
O calendário marca 8 de setembro, mas para muitas famílias de Anápolis a data representa muito mais do que um dia comum. Há 28 anos, a cidade acordava diante de uma das maiores tragédias de sua história: um acidente que matou 55 pessoas e deixou marcas profundas entre familiares, amigos e toda a comunidade.
Nesta terça-feira (8), a memória das vítimas será novamente reverenciada durante a Santa Missa dos Romeiros, celebrada pela Diocese de Anápolis, por meio da Paróquia São Pedro e São Paulo. A celebração está marcada para as 19h30, na Praça dos Romeiros, onde está instalado o memorial dedicado às pessoas que perderam a vida no acidente.
A cerimônia é aberta ao público e, além de representar um momento de oração para familiares e integrantes da comunidade católica, tornou-se ao longo dos anos uma forma de preservar a memória de uma tragédia que permanece presente na história da cidade.

Tragédia nacional
O acidente aconteceu na madrugada de 8 de setembro de 1998, quando dois ônibus que transportavam romeiros de volta de uma peregrinação ao Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo, seguiam em direção a Anápolis.
Durante a viagem, os ônibus se envolveram em uma colisão com um caminhão que transportava combustível. A violência do acidente provocou um incêndio de grandes proporções.
Cinquenta e cinco pessoas morreram carbonizadas no local. Outras duas vítimas morreram dias depois, em decorrência dos ferimentos. Entre os mortos estavam crianças, adolescentes e integrantes de uma mesma família.

A dimensão da tragédia provocou comoção em todo o país. Anápolis passou a receber equipes de veículos de comunicação de diferentes regiões, que buscavam informações sobre o acidente e sobre as vítimas.
Para a cidade, porém, a tragédia tinha uma dimensão muito mais próxima. Famílias inteiras foram atingidas, e o sofrimento se multiplicou entre as comunidades religiosas às quais pertenciam os romeiros.
O velório coletivo realizado na época permanece como uma das imagens mais marcantes daquele período. Para muitas famílias, a despedida aconteceu de maneira inesperada e em circunstâncias que tornaram ainda mais difícil assimilar a perda.

Memória preservada
A cidade também encontrou uma forma de transformar o local em espaço permanente de lembrança. A Praça Gonçalves da Cruz passou a ser denominada Praça dos Romeiros por meio da Lei Municipal nº 1.637, de 20 de dezembro de 1988.
Posteriormente, a Lei Municipal nº 2.709/2000 determinou a construção de um memorial no local, dedicado às vítimas da tragédia.

Desde então, a praça se transformou em ponto de encontro para familiares, amigos e fiéis que, todos os anos, retornam ao local para lembrar aqueles que partiram.
A missa desta terça-feira mantém justamente esse propósito: reunir a comunidade em torno da memória, da fé e da solidariedade.
Vinte e oito anos depois, o tempo não apagou o episódio. Para quem perdeu alguém naquela madrugada, a lembrança continua fazendo parte da própria história. Para as novas gerações, o memorial e a celebração anual cumprem outra função: impedir que a tragédia seja esquecida.
Mais do que recordar uma data dolorosa, a Santa Missa dos Romeiros reafirma que algumas histórias permanecem vivas porque fazem parte da memória coletiva de uma cidade. (Com Claudius Brito)
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