Não gosto de motoqueiro. E faço questão de explicar o porquê. Antes que alguém se revolte, é preciso deixar claro: motoqueiro e motociclista não são a mesma coisa. E a diferença não está no valor da moto, na cilindrada, na roupa que veste ou na condição social de quem pilota. Está no comportamento e no respeito à vida.
Vander Lúcio Barbosa
Motoqueiro é aquele que transforma a motocicleta em instrumento de desordem, medo e irresponsabilidade. É quem “costura” o trânsito, empina moto em vias públicas, trafega sobre calçadas, ultrapassa pelo acostamento e avança sinais vermelhos. Muitos circulam sem placa ou com placas adulteradas, como se estivessem acima da lei.
Também fazem parte desse universo os que participam de rachas clandestinos, utilizam escapamentos contrafeitos — os chamados “canos abertos” — para provocar poluição sonora, além daqueles que trafegam em apenas uma roda em plena área urbana.
Há ainda os que pilotam sem habilitação, fogem de bloqueios policiais, transportam passageiros irregularmente, inclusive crianças sem segurança, e utilizam corredores entre veículos como pistas de corrida.
Os motoqueiros do mal ainda invadem contramão em cruzamentos e rodovias, realizam manobras bruscas, pilotam sob efeito de álcool ou drogas e promovem encontros para exibição de manobras criminosas. Em muitos casos, essas práticas terminam em tragédias, mortes e sobrecarga no sistema público de saúde.
Já o motociclista é exatamente o contrário. É aquele que entende que moto não foi feita para matar, assustar ou afrontar a sociedade. Motociclista respeita sinalização, velocidade, pedestres e demais motoristas. Tem prudência, educação e responsabilidade. Pode usar a moto para trabalhar, viajar ou lazer, mas jamais transforma as ruas em território de selvageria.
Tenho autoridade para fazer essa distinção. Sou motociclista habilitado desde os 18 anos. Durante muito tempo, a moto foi minha ferramenta de trabalho. Hoje, ela se tornou um veículo de liberdade, que já me levou a quase todos os estados brasileiros e a diversos países da América do Sul, sem me envolver em graves infrações.
O problema é que os motoqueiros do mal estão destruindo a imagem dos verdadeiros motociclistas. A sociedade já não consegue separar quem utiliza a moto com responsabilidade daqueles que fazem dela uma arma de imprudência.
O trânsito brasileiro já mata demais. Quem transforma vias públicas em palco de exibição irresponsável não merece aplausos, merece punição rigorosa.
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