Atividade não para de crescer mesmo com a garantia dos órgãos públicos de que a água tratada pelos sistemas convencionais seja de boa qualidade e própria para o consumo humano
Mesmo com o avanço tecnológico das administrações estaduais e municipais para oferta de água de boa qualidade, com tratamentos químicos como cloro e sulfatos, a comercialização de água envasada não para de crescer. O que antes era encontrado apenas nas ‘casas do ramo’ (bares, restaurantes e assemelhados) hoje está em profusão nos supermercados, mercearias, bancas de feira, cruzamentos e semáforos. Esta atividade alimenta uma cadeia comercial e abrange milhares de trabalhadores em todo o Brasil. Desde os grandes centros até as comunidades menores, o consumidor sempre encontra pontos de venda. São milhões de litros vendidos todos os dias.
O produto é oferecido em diversas versões: gaseificada, com quinino e outras substâncias, gelada, natural, em garrafões, litros, garrafas pet de diferentes medidas, galões, tonéis e copos. Desde o final dos anos 60, quando era vendida apenas em recipientes de vidro, o volume e a forma de comercialização mudaram. As poucas marcas existentes, principalmente de Minas Gerais e São Paulo, passaram a ter concorrência de marcas alternativas. Hoje, se multiplicaram por todo o Brasil, em atividade extremamente rentável e presente em todos os setores.
Negócio bilionário
O mercado brasileiro de água envasada movimenta cerca de 6,1 bilhões de dólares, ou mais de 30 bilhões de reais, e posiciona o País como um dos maiores produtores mundiais. A atividade tem projeções sólidas de expansão, com estimativa de alcançar até 10,8 bilhões de dólares na próxima década, impulsionada pelo consumo diário e busca por hábitos saudáveis. O Brasil figura entre os cinco maiores produtores globais e o motivo é óbvio: o território é beneficiado pela vasta presença de aquíferos subterrâneos.
Trata-se de atividade que exige conformidade rigorosa com o marco regulatório da mineração, fiscalizado pela Agência Nacional de Mineração, e com as normas da ANVISA. A cadeia produtiva foi reforçada com alternativas ao plástico tradicional, como embalagens de alumínio e garrafas com foco em reciclabilidade. A distribuição concentra-se fortemente em supermercados, hipermercados, lojas de conveniência e redes de entrega porta a porta, o chamado comércio local.

Goiás e Anápolis
Estudos recentes mostram que Goiás se destaca nacionalmente no setor, por concentrar parcela expressiva do volume de recursos hídricos e concessões para extração mineral. Responde por cerca de 92,7% do volume de água mineral utilizado em concessões balneárias no País, o que evidencia a força hídrica da região. O Estado abriga centros de envasamento e distribuição de grandes conglomerados, como o Grupo Edson Queiroz (marcas Indaiá e Minalba) e a Coca-Cola FEMSA (marca Crystal). A Secretaria Estadual da Economia exige o uso de Selo Fiscal em operações de fabricação e comercialização para garantir arrecadação e combater sonegação. O setor segue normas rígidas fiscalizadas pela ANVISA e pela Agência Nacional de Mineração.Em Anápolis, o mercado é impulsionado por forte demanda por galões de 20 litros e conta com marcas regionais, distribuidoras atacadistas e variação significativa de preço. A região abriga fontes importantes, como a Mina da Lua, que fornece marcas tradicionais como Acqua Lia e Paola, além de operações que atendem Goiás e estados vizinhos. Grupos como José Alves e Minalba Brasil marcam presença forte na cadeia de suprimentos da cidade.

Pesquisas dos órgãos de proteção ao consumidor em Anápolis indicam alta variação nos preços do galão de 20 litros. Os valores para retirada no local oscilam até 80%: vão de R$ 10 a R$ 18, enquanto a entrega domiciliar fica entre R$ 13 e R$ 18. O setor é formado por dezenas de revendas integradas com serviços de entrega rápida, muitas vezes em conjunto com o comércio de gás de cozinha, para atender residências, setor corporativo e eventos. A fiscalização reforça atenção aos prazos de validade. O garrafão plástico tem vida útil máxima de três anos, enquanto a água em seu interior conserva-se própria por até um ano.
Cuidados no consumo
Há, todavia, uma ressalva das autoridades sanitárias. O fato de serem extraídas do subsolo, por si só, não garante pureza. Existe risco de contaminação por agrotóxicos, coliformes fecais e outras impurezas. Há um longo caminho entre extração e balcão de vendas, que passa por controle no manejo, no sistema de envasamento e nas condições higiênico-sanitárias dos ambientes. Constantemente a mídia mostra casos em que estabelecimentos, às vezes clandestinos, são fechados por falta de observância das normas, como adulteração do produto.
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