O Plano Diretor Participativo é uma lei municipal obrigatória, instituída pelo Estatuto da Cidade (Lei nº 10.257/2001), que orienta o crescimento e desenvolvimento de um município. Ele define diretrizes para o uso do solo, transporte, infraestrutura e meio ambiente, visando organizar a cidade, garantir a função social da propriedade e aumentar a qualidade de vida da população.
Anápolis está no centro dos debates sobre a revisão do Plano Diretor. Mas, como construir um plano que atenda todas as necessidades de desenvolvimento da cidade. O especialista e consultor ambiental, Antônio El Zayek, referência no Brasil em projetos dessa natureza, durante entrevista à Rádio Manchester FM nesta quinta-feira, 21, apresentou três eixos básicos que podem nortear esse debate.
Os eixos, segundo ele, são: ocupação do solo (onde e como pode construir, determina para onde a cidade cresce; a questão hídrica/ambiental (drenagem, água); e o Plano de Mobilidade (onde passam as vias, tráfego, etc). Antônio Zayek fez um apelo para que as faculdades e universidades participem dessa construção, por meio de urbanistas, arquitetos, engenheiros, entre outros.
“Por que não pensar numa parceria entre o Município e as universidades, para que os TCCs tenham temática voltada para a realidade da cidade. Isso gera conhecimento”, disse. Zayek participou de debates sobre a Carta Brasileira de Cidades Inteligentes. Segundo ele, é essencial pensar em três inteligências básicas: ambiental, social e tecnológica/econômica inclusora.
O consultor ambiental também demonstra preocupação com os aspectos hídricos do município, especialmente quando à necessidade de assegurar a permeabilização do solo e dos imóveis garantirem os poços de recarga. Lembrou que Anápolis conta com o Plano de Macrodrenagem Verde. Alertou para a seca que o país enfrentará neste ano, agravada pelo fenômeno El Niño que, segundo Zayek, será o mais forte dos últimos 140 anos.
Fez observações, também, sobre os ribeirões Piancó e Extrema. “Vejo que muitos apostam na construção de um reservatório na estação do Piancó, como solução, mas isso não vai adiantar. Não tem profundidade. Quem visita aquele local na seca e vê o reguinho de onde sai a água que abastece a cidade, pode cair de joelho, suplicando a Deus para ele não acabar”, comentou.
Por fim, fez avaliação catastrófica das condições do Ribeirão Extrema, que passa na região do Daia. Segundo ele, “o tratamento de esgoto da Codego [no Daia] é uma farsa, juntam todo o esgoto do Daia e jogam dentro”. Zayek alerta qye “morrem peixes 30 km para baixo, se investir em água e não em esgoto, não dá”. E concluiu: “o Extrema está morto”.
