Duas amostras ultrapassaram 100°C durante o processamento e revelaram uma reação mineral incomum
Duas rochas coletadas no oceano Pacífico pegaram fogo espontaneamente durante a preparação para análises científicas. O episódio foi descrito em um estudo publicado em 28 de setembro de 2026 na revista Scientific Reports, liderado pela oceanógrafa Amy Gartman, do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
As amostras foram recolhidas em 2022 na região de Escanaba Trough, próxima à divisa entre os estados americanos de Oregon e Califórnia. Com um veículo operado remotamente, os pesquisadores coletaram 57 rochas em quatro áreas do fundo do mar.
A combustão ocorreu durante o processamento de duas amostras, após etapas de liofilização — técnica de secagem por congelamento — e trituração. Os materiais ultrapassaram 100°C e tiveram seus minerais originais oxidados pela reação com o oxigênio.
Por que queimaram?
As análises identificaram a presença predominante de marcassita, um mineral composto por ferro e enxofre. Nas amostras que queimaram, o mineral apresentava cristais extremamente pequenos e havia se formado pela transformação de outro mineral, a pirrotita.
Segundo os pesquisadores, essa estrutura torna as rochas menos estáveis e favorece reações de oxidação que liberam calor. Em determinadas condições, o aquecimento pode intensificar a reação e levar à combustão espontânea.

Risco na mineração
A descoberta pode ter implicações para a exploração de minerais em águas profundas. Depósitos submarinos formados por fontes hidrotermais contêm metais como cobre, zinco e ferro e são estudados como possíveis fontes de matérias-primas.
Ao serem retiradas do fundo do mar, essas rochas passam a ter contato com condições diferentes de oxigênio, temperatura, pressão e umidade. Os cientistas alertam que as características de cada depósito precisam ser avaliadas para identificar possíveis riscos de aquecimento e combustão.
O estudo não indica que todas as rochas submarinas possam pegar fogo, mas demonstra que determinados depósitos exigem cuidados específicos caso sejam explorados comercialmente.
Foto: Veículo operado remotamente Jason, utilizado em pesquisas oceanográficas. (ROV Jason / Instituto Oceanográfico de Woods Hole)
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