Por volta de cinco e meia da tarde de terça-feira, 21, comerciantes, moradores e transeuntes da Avenida Universitária, perto de um complexo educacional (Faculdades Anhanguera) foram surpreendidos por uma rajada de tiros em plena via pública. Fernando Araújo Gadia, 28 anos, estava em uma motocicleta quando foi abordado pelo condutor de um carro escuro, segundo testemunhas, conhecido por “Black”, o qual descarregou uma arma em direção a ele. Fernando foi alvejado em três partes do corpo. Mesmo ferido, ele apanhou um revólver que estava no guarda-volumes da moto que conduzia e atirou contra o desafeto. As balas, entretanto, não atingiram o condutor do carro que fugiu do local. Fernando ainda foi levado ao Hospital de Urgências, mas acabou morrendo minutos depois. Os policiais que compareceram ao local da ocorrência não tinham maiores elementos, mas todos foram unânimes em apontar “um acerto de contas” como a causa provável do entrevero.
Tanto Fernando, quanto “Black” tinham passagens pela polícia. Além da morte de Fernando, houve outra vítima inocente no caso. A garota Rayanna Cristina Magalhães, moradora em Cocalzinho de Goiás, que estava no interior de um ônibus que faz a linha entre aquele município e Anápolis, acabou sendo atingida por uma das balas disparadas pelo revólver da vítima fatal. A bala atravessou a lataria do ônibus e acertou a região pélvica da garota que, felizmente, não corre risco de morrer. Ela foi atendida, inicialmente, no Hospital de Urgências de Anápolis. O caso fez lembrar outro tiroteio ocorrido, praticamente, no mesmo local, em dezembro de 2007, quando um policial militar reformado de nome João Gomes, por conta de uma briga de trânsito, acabou atirando na cabeça da comerciária Fabiana Gomes, que morreu dias depois.
Violência
A morte de Fernando Gadia foi o assassinato de número 87 registrado este ano em Anápolis. Ela acontece menos de um mês depois do atentado que vitimou o líder sindical Nivaldo Ferreira de Souza, baleado quando saía de casa, na Vila Góis e que morreu alguns dais depois. Naquele episódio, também, a vítima foi surpreendida e não teve chance de reagir, ou de escapar do atentado. Segundo a Polícia, esses tipos de crimes são de difícil prevenção. “Não podemos adivinhar quando um desafeto vai atrás do outro para matá-lo. Eles fazem isso no maior sigilo, agem de surpresa em locais inimagináveis. É praticamente impossível prever um fato desses”, disse um agente da Polícia Civil ouvido a respeito do atentado. Além desses, vários outros assassinatos foram registrados nas últimas semanas, grande parte em via pública, o que causa pânico entre os moradores do centro e dos bairros da Cidade