Quando Ubiratan Lopes conheceu o Distrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA), havia poucas indústrias instaladas no local. O cenário ainda era de avenidas vazias e terrenos à espera de ocupação. Ele, porém, enxergou possibilidades. “Eu vi futuro onde muitos viam apenas mato e avenida vazia. Senti que ali começaria a minha história”, recorda.
Técnico em Edificações pela então Escola Técnica Federal de Goiás, Ubiratan havia trabalhado durante oito anos na Volterrana, empresa especializada em lajes para a construção civil. Nesse período, passou pela produção, assistência técnica, fiscalização de obras, vendas e gestão.
A experiência ajudou a definir sua escolha profissional. Em vez de mudar para a avicultura, setor que também despertava seu interesse, decidiu continuar no ramo que conhecia. Em 1980, entrou como sócio na Lajes Goiás. Seis anos depois, após o encerramento da sociedade, criou a VIBRACOM, em Anápolis.
Risco calculado
O começo foi modesto. Quatro funcionários participavam da operação, e Ubiratan acumulava tarefas que iam da venda à cobrança, passando pelo carregamento de caminhões. “Eu vendia, cobrava, carregava caminhão. Não tinha glamour, tinha muito trabalho”, resume.
A empresa enfrentou logo nos primeiros meses os efeitos do Plano Cruzado, em 1986, com dificuldades de abastecimento e falta de matérias-primas. Para o empresário, aquele período foi uma escola de sobrevivência. A manutenção dos negócios dependia também das relações com fornecedores, que, em momentos de escassez, reservavam materiais para clientes com quem tinham confiança. “Não era privilégio, era confiança. O pessoal me ligava e dizia: separei material para você. Isso vale mais que qualquer contrato”, relata.
A experiência contribuiu para consolidar uma orientação que continuaria presente na administração da empresa: crescer sem comprometer a capacidade de sustentar a operação.
Crescimento gradual
Com o aumento da demanda, a estrutura inicial tornou-se insuficiente. A instalação no DAIA, em meados da década de 1990, abriu espaço para ampliar a produção e diversificar os produtos. Em 2003, a empresa também chegou ao Distrito Agroindustrial de Aparecida de Goiânia (DAIAG).
As lajes deram lugar a uma linha mais ampla de materiais, que inclui blocos, canaletas, pisos, tubos, postes, estruturas pré-moldadas e produtos de poliestireno expandido (EPS). Atualmente, a empresa informa oferecer mais de 120 itens.
A modernização acompanhou essa expansão, com aquisição de equipamentos e mudanças nos processos industriais. Ubiratan também passou a visitar feiras internacionais do setor para conhecer tecnologias e avaliar possibilidades de investimento. “Se tem algo mais moderno no mundo, eu quero ver de perto. Sempre voltei dessas feiras com a cabeça fervilhando de ideias”, conta.
Laços duradouros

Ao longo da trajetória empresarial, Ubiratan também participou de entidades representativas do setor produtivo. Presidiu o Sindicato da Indústria da Construção Civil de Anápolis (Sinduscon), a Associação Comercial e Industrial de Anápolis (ACIA), a Federação das Associações Comerciais e Empresariais de Goiás (FACIEG), a representação regional da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG) e o Sebrae Goiás.
Na empresa, ele atribui importância semelhante à formação das equipes e à permanência dos profissionais. Segundo o empresário, colaboradores antigos convivem com funcionários que começaram em funções auxiliares e chegaram a cargos de liderança. “Pode ter a melhor máquina do mundo, mas sem gente boa, comprometida, você não vai a lugar nenhum”, afirma.
Aos 40 anos, a VIBRACOM reúne uma história de expansão industrial, diversificação produtiva e adaptação às mudanças econômicas. Para Ubiratan, a trajetória também está ligada à cidade onde constituiu família e desenvolveu o negócio. “Anápolis virou parte da minha identidade”, diz.
A empresa que começou com a fabricação de lajes passou a ocupar instalações industriais no DAIA e em Aparecida de Goiânia. Seu percurso acompanha parte das transformações da construção civil em Goiás, mas, na avaliação do fundador, a continuidade depende de uma combinação que vai além das máquinas e dos investimentos: persistência, prudência e confiança nas relações.
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