Novos exames de DNA e decisões judiciais reabriram o caso nos Estados Unidos
Douglas Stewart Carter, de 71 anos, deixou a prisão sob fiança na segunda-feira (28), após passar cerca de 41 anos encarcerado no estado de Utah, nos Estados Unidos. Ele havia sido condenado à morte pelo assassinato de Eva Olesen, ocorrido em 1985, e agora aguarda um novo julgamento previsto para 2027.
A liberdade foi concedida pelo juiz Derek Pullan, do 4º Distrito Judicial de Utah. Como condições, Carter deverá usar tornozeleira eletrônica e não poderá manter contato com familiares da vítima.
A decisão ocorreu depois que novos exames genéticos realizados em evidências do local do crime não encontraram correspondência com o DNA de Carter. O material analisado inclui sangue encontrado em uma maçaneta e material genético identificado no cabo da faca usada no assassinato.
Apesar do resultado dos exames, Carter não foi declarado inocente. O processo criminal continua, e a acusação ainda poderá apresentar outras provas no novo julgamento.
Caso de 1985
Eva Olesen foi assassinada em 27 de fevereiro de 1985, dentro de sua casa, em Provo, Utah. Ela foi baleada e esfaqueada. A vítima era tia do então chefe da polícia de Provo.
Carter foi condenado naquele mesmo ano. Segundo registros judiciais, não havia evidência física que o vinculasse diretamente à cena do crime. A condenação foi baseada principalmente em uma confissão assinada por ele e nos depoimentos de duas testemunhas que afirmaram que Carter havia comentado sobre o assassinato.
Carter sempre sustentou que não cometeu o crime e afirmou que foi pressionado a assinar a confissão.
Anos depois, os dois principais depoentes da acusação foram localizados no México. Em declarações apresentadas à Justiça, eles disseram que haviam sido pressionados por policiais para incriminar Carter. Também afirmaram ter recebido ajuda financeira e que sofreram ameaças relacionadas à deportação caso não colaborassem com a versão apresentada pelas autoridades.
A Suprema Corte de Utah analisou posteriormente as alegações e confirmou que houve violações constitucionais durante o processo. Em decisão de 2025, o tribunal manteve a anulação da condenação e da sentença de morte e determinou a realização de um novo julgamento.
Novas provas
A situação ganhou novo contorno com os exames de DNA realizados em evidências preservadas do crime. Os testes excluíram Carter como possível fonte do material genético encontrado em pontos considerados relevantes para a investigação.
Após os resultados, os promotores do condado de Utah retiraram a intenção de pedir novamente a pena de morte no novo julgamento. A acusação informou que continua avaliando as provas e os próximos passos do processo.
A defesa, por sua vez, afirma que outras possibilidades não foram devidamente investigadas na época. Os advogados também sustentam que testemunhas teriam relatado a presença de um homem branco deixando o local e questionam a forma como determinadas informações foram tratadas durante a investigação.
O juiz Derek Pullan reconheceu que os novos resultados de DNA enfraquecem parte das evidências utilizadas contra Carter, mas ressaltou que o material, isoladamente, não determina quem matou Eva Olesen. A decisão sobre a responsabilidade pelo crime deverá ser tomada no novo julgamento.
Enquanto aguarda o processo, Carter ficará hospedado em uma acomodação próxima à família de seu filho. O filho, que foi adotado quando era criança, descobriu somente mais tarde que o pai estava preso e havia sido condenado à morte.
O novo julgamento está previsto para 2027.
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