Empresas de tecnologia reorganizam equipes em meio às transformações provocadas pela inteligência artificial.
A Canva anunciou uma reestruturação que afetará 1.271 funcionários, o equivalente a 22% de sua força de trabalho global. Enquanto isso, o Google ampliou um programa de desligamento voluntário para profissionais de cinco países, oferecendo indenizações a quem optar por deixar a companhia. As duas iniciativas ocorrem em um cenário de mudanças no mercado de tecnologia e revisão das estruturas corporativas.
Canva muda estrutura
A plataforma australiana de design digital anunciou que a reorganização envolverá demissões, alterações de funções e transferências de profissionais para escritórios centralizados.
A cofundadora e CEO da empresa, Melanie Perkins, classificou a decisão como o momento mais difícil dos 13 anos de história da companhia.
“Este é, sem dúvida, o momento mais difícil dos nossos 13 anos de história”, afirmou.
O plano prevê a integração das equipes de Produto, Crescimento e Plataforma em uma única estrutura, além da redução de níveis hierárquicos e da concentração de determinadas atividades em escritórios centrais. A empresa também pretende ampliar a colaboração presencial entre os profissionais.
A decisão ocorre após a Canva registrar desaceleração no crescimento pela primeira vez em uma década. Além disso, ferramentas de inteligência artificial vêm transformando o mercado de softwares, tornando tarefas de criação e edição mais rápidas e acessíveis.
Pacote de indenização
Para os profissionais desligados, a Canva informou que oferecerá pelo menos seis meses de salário, independentemente do país. O pacote também inclui manutenção da cobertura de saúde por mais 12 meses nos locais onde o benefício é disponibilizado.
A companhia ainda prevê apoio para recolocação profissional e permitirá que os funcionários que deixarem a empresa permaneçam com seus notebooks.
Apesar de informar que 1.271 profissionais serão afetados, a empresa não detalhou quantos perderão efetivamente seus empregos, já que a reestruturação também envolve transferências e mudanças de função.
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Google oferece saída
Em outra estratégia, o Google ampliou, em junho de 2026, seu programa de desligamento voluntário para funcionários do Canadá, França, Alemanha, Japão e Suíça. A iniciativa oferece pacotes de indenização a trabalhadores que decidirem deixar a empresa.
Segundo informações divulgadas à agência Reuters, o programa começou em algumas equipes em 2025 e foi expandido para os cinco países neste ano. A companhia não informou quantos funcionários aceitaram as propostas.
A medida ocorre enquanto a Alphabet, controladora do Google, busca controlar despesas diante dos investimentos elevados em inteligência artificial. Ao mesmo tempo, direciona recursos para áreas consideradas prioritárias, como IA e computação em nuvem.
O programa aparentemente não contempla todas as divisões. Funcionários do Google Cloud e da DeepMind, unidade de pesquisa em inteligência artificial, ficaram de fora de iniciativas anteriores, e a expansão mais recente parece manter essa exclusão.
Na Suíça, os funcionários que aceitaram a proposta receberam o equivalente a um mês de salário por ano trabalhado, limitado a 12 meses de remuneração. Assim, o pagamento pode chegar a um ano de salário. As saídas começaram em agosto. As condições oferecidas nos outros países não foram detalhadas publicamente.
