De mal a pior. O horário gratuito de propaganda eleitoral no rádio e na televisão atravessa uma das maiores crises de apelo popular de sua história. O que deveria ser a vitrine democrática para o confronto de propostas e a apresentação de projetos de governo transformou-se, na percepção da maioria da população, em um espetáculo de hostilidade, agressões pessoais e discursos vazios.
Por Vander Lúcio Barbosa
Os dados de opinião pública confirmam o diagnóstico das ruas: o eleitorado brasileiro está profundo e progressivamente desapontado com o formato e o conteúdo das campanhas.
Pesquisas sobre o comportamento do eleitor revelam um fenômeno intrigante de expectativa frustrada. Inicialmente, parte relevante da população demonstrava intenção de acompanhar os programas, impulsionada pelo desejo de obter informações confiáveis e fugir do mar de fake news e manipulações que dominam o ambiente digital. No entanto, assim que a transmissão começou, o cenário mudou drasticamente.
Levantamentos institucionais apontam que mais da metade dos eleitores simplesmente opta por não assistir às inserções e blocos diários. O público que efetivamente permanece conectado é cada vez mais restrito, concentrando-se predominantemente nas faixas etárias mais avançadas, acima dos 60 anos.
A razão desse distanciamento é evidente. Em vez de debates construtivos sobre saúde, segurança, economia e educação, as transmissões foram tomadas por trocas de acusações, insinuações e estratégias focadas na desqualificação do adversário. Esse clima de “bate-boca” contínuo gera um forte efeito de repulsão: em vez de atrair os indecisos, a agressividade afasta o cidadão comum, que reage mudando de canal ou desligando os aparelhos.
Como consequência, observa-se uma migração maciça da busca por informação para as redes sociais. No ambiente digital, o cidadão tenta selecionar apenas os trechos picotados que lhe interessam, ainda que isso traga o risco de reforçar bolhas ideológicas. O rádio e a TV ainda gozam de maior credibilidade institucional do que as plataformas virtuais, mas perdem relevância quando os partidos políticos falham quando não entregam o que o cidadão mais precisa: respeito à sua inteligência e soluções concretas para o futuro do país.
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