Estudo da FGV aponta que torneio de 2027 vai injetar R$ 8,8 bi na economia nacional
A Copa do Mundo Feminina Fifa 2027 deve movimentar R$ 8,8 bilhões na economia brasileira. O levantamento da FGV Projetos, feito a pedido da Embratur, calcula os efeitos entre preparação e execução do evento. A competição ocorre de 24 de junho a 25 de julho de 2027, com o Mané Garrincha, em Brasília, entre as sedes.
Os números foram apresentados por Roberto Gevaerd, diretor de Gestão e Inovação da Embratur, no Confut, em Nova York. A projeção prevê R$ 3,8 bilhões a mais no PIB, o que representa 0,03% da economia nacional com base em 2025. Também estima 73,7 mil empregos diretos e indiretos, R$ 4,5 bilhões em salários e lucros e R$ 928 milhões em arrecadação de impostos.
Gevaerd comparou o torneio ao calendário esportivo do país. Em 2025, os dez maiores eventos recorrentes somaram R$ 4,56 bilhões. “Sozinha, a Copa Feminina chega a R$ 8,8 bilhões. É um único torneio movimentando o dobro de toda a elite nacional”, afirmou. Para o professor Luiz Gustavo Barbosa, coordenador do estudo, o Brasil vira um dos poucos países a sediar a tríade: Copa 2014, Olimpíadas 2016 e Copa Feminina 2027.
Efeito Bilionário
O impacto se divide em dois blocos. O primeiro vem do público: R$ 4,7 bilhões, com expectativa de 2 milhões de pessoas durante o mês do torneio. Esse fluxo sustenta 45,7 mil vagas, gera R$ 2,4 bilhões em renda e R$ 516 milhões em tributos. O segundo bloco é a organização: R$ 4,1 bilhões. A Fifa fixou o orçamento global em US$ 800 milhões. Descontadas as premiações, R$ 2,3 bilhões entram direto no mercado local para logística, transmissão, segurança e saúde, mantendo 28 mil empregos.
O cálculo usou a Matriz de Insumo-Produto, que mede efeitos diretos, indiretos e induzidos. A pesquisa VISA-Embratur 2025 mostra que 48,61% dos turistas internacionais no Brasil são mulheres, com gasto médio de US$ 1.317 e 11 dias de permanência. Elas consomem sol e praia, compras, gastronomia e cultura, o que amplia ganhos de pequenas empresas. Dados da Nexus/CBF 2024 indicam que 72% dos que nunca foram a estádios são mulheres, mas 73% avaliam a Seleção Feminina positivamente. O estudo aposta na ativação dessa demanda retraída, descentralizando o consumo esportivo.
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