As ações alcançaram áreas urbanas e revelaram a expansão da exploração em setores de serviços
O Brasil intensificou o combate ao trabalho análogo à escravidão em 2025 e resgatou 2.772 pessoas submetidas a condições degradantes, número 26,8% maior que o registrado no ano anterior. Ao longo do ano, as equipes de fiscalização realizaram 1.594 operações em todo o país. Como resultado, os responsáveis pagaram R$ 9 milhões em verbas rescisórias às vítimas, enquanto os órgãos competentes aplicaram R$ 41,8 milhões em multas.
Além disso, os dados oficiais mostraram uma mudança histórica no perfil das ocorrências. Pela primeira vez, a maioria dos resgates aconteceu no meio urbano, que concentrou 68% dos casos. Até então, o trabalho escravo contemporâneo aparecia principalmente em atividades rurais. No entanto, o levantamento indicou que a exploração avançou para os grandes centros e passou a atingir setores estruturais da economia.

As fiscalizações alcançaram, sobretudo, obras de alvenaria, construção de edifícios e atividades ligadas à administração pública. Dessa forma, o balanço revelou que a exploração da mão de obra deixou de ser um problema restrito ao campo e passou a ocupar espaços centrais da dinâmica urbana.
Perfil social
O perfil das vítimas reforçou desigualdades históricas do mercado de trabalho brasileiro. Do total de pessoas resgatadas em 2025, 83% se autodeclararam pretas ou pardas. Além disso, 65% residiam na região Nordeste, o que evidenciou a permanência de fatores como vulnerabilidade econômica e falta de oportunidades formais de emprego.
Ao mesmo tempo, as ações de fiscalização garantiram direitos trabalhistas básicos a milhares de pessoas. Mesmo quando não houve caracterização de trabalho análogo à escravidão, os auditores asseguraram o pagamento de salários atrasados, férias, FGTS e outras verbas legais, ampliando o alcance social das operações.
Áreas urbanas
A concentração de 68% dos resgates no meio urbano marcou uma virada no combate ao trabalho escravo no país. Esse dado indicou que a exploração se deslocou para obras, serviços terceirizados e atividades ligadas ao poder público. Além disso, a mudança ampliou o desafio da fiscalização e exigiu novas estratégias de monitoramento.
Assim, a presença crescente de casos em cidades mostrou que o problema não permaneceu restrito a regiões afastadas ou a cadeias produtivas tradicionais. Pelo contrário, ele passou a se manifestar em setores essenciais ao funcionamento dos centros urbanos.
Fiscalização
Apesar dos resultados positivos de 2025, auditores do trabalho demonstraram preocupação com o início de 2026. Segundo o setor, houve cancelamento de operações e redução no ritmo das fiscalizações em razão de impasses administrativos e políticos no Ministério do Trabalho.
Ainda assim, o balanço de 2025 comprovou que a atuação direta do Estado, por meio de operações regulares e fiscalizações integradas, continuou sendo o principal instrumento para identificar vítimas, responsabilizar empregadores e assegurar o cumprimento da legislação trabalhista.
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