Advogado e analista político avalia primeiro turno e aponta força do bolsonarismo, sem Jair Bolsonaro, nas urnas
Em comentário na Rádio Manchester e no Portal CONTEXTO, o advogado e conselheiro da OAB Goiás Arinilson Mariano disse que o principal erro foi subestimar o bolsonarismo na disputa.
“O que mais me chamou a atenção foi o tamanho do erro de quem achava que o bolsonarismo perderia força sem o seu ícone, o Bolsonaro pai”, afirmou. Para ele, as urnas mostraram o contrário. Flávio terminou à frente e o PL ampliou presença no Congresso, dado que precisa ser entendido além da preferência.
Na avaliação do comentarista, o eleitor deu dois recados. Mostrou força do bolsonarismo e cobrou mudança do governo. “Há um recado implícito do eleitor cobrando mudança”, disse.
Segundo Arinilson, parte votou por convicção, mas outra foi movida pelo desejo de tirar o PT. “Há pessoas que pensaram: eu não concordo com tudo, mas quero tirar o PT”, relatou, ao citar o antipetismo de chegada. Na hora final, eleitor busca quem pode vencer Lula.
Três Erros
Onde o PT errou? O analista político lista três falhas. Primeiro, confiança excessiva no passado. “O PT confiou demais no passado. O presidente tem história importante, mas o eleitor avaliava o governo de agora”, disse. O eleitor quer saber se dinheiro chega no fim do mês e se há segurança.
Segundo ponto, a confusão entre governo e democracia. “O cidadão pode defender a democracia e querer derrotar o PT. Trocar o governo faz parte da democracia”, afirmou. Quando campanha trata adversário como ameaça, passa impressão de que só aceita escolha quando favorece.
Terceiro elemento, a desconexão do Partido dos Trabalhadores com a realidade. “O PT falou de um país que muita gente não reconhece na própria vida. O governo apresenta números, mas o cidadão olha a conta e pergunta onde está a melhora”, pontuou. Para ele, não é só comunicação, é preciso resultado.
Segundo Turno
Flávio é favorito? Para Arinilson, sim. Liderou primeiro turno, ampliou alianças e recebeu apoios de Caiado, Zema e da federação União Brasil e PP. “Caiado tem peso especial porque criticou Flávio e tem liderança própria”, observou. “Desde 1989, quem liderou o primeiro turno venceu no segundo. Não é garantia, mas é dado forte”.
Segundo Arinilson, Lula segue competitivo e a diferença é pequena. No entanto, precisará reconhecer o desgaste, reduzir a abstenção e apresentar razão concreta para continuar no cargo. “Se ficar apenas no olha só, toma cuidado com o Bolsonaro, vai ouvir uma resposta difícil: estou preocupado em continuar como estou”, finalizou.
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