A manipulação de pesquisa eleitoral é recorrente nas campanhas eleitorais no Brasil. Isso todo mundo já sabe. Números colhidos praticamente num mesmo recorte de tempo, com a mesma metodologia, com número de entrevistados semelhantes, trazem resultados muitas vezes distantes. Sem generalizar institutos e pesquisas.
E aqui surge um desafio e uma revolta. O desafio de identificar se uma pesquisa é séria ou não. E a revolta ao perceber a fragilidade dos instrumentos de prevenção, de identificação de fraudes e de punição efetiva de quem manipula os números.
A divulgação de resultados de pesquisa fraudulenta é considerada crime eleitoral e pode resultar em penas de prisão de seis meses a um ano, além de multa em valores que vão de R$ 53 mil a R$ 106 mil. A divulgação dos resultados de uma pesquisa sem prévio cadastro no TSE também sujeita os responsáveis à multa, nos mesmos valores.
É comum pesquisa publicada que apresenta um candidato 10 pontos à frente do principal adversário e, noutra, o principal adversário esteja empatado ao à frente com vários pontos. Esta semana vimos duas assim. É certo que a pesquisa aponta situação de momento, pode apresentar variáveis algumas vezes imprevistas, mas o que se vê, agora mais forte que nunca, são pesquisas utilizadas para desinformar, para confundir.
Um claro desserviço à democracia. São usadas por candidatos ou campanhas como arma para atingir os concorrentes. Parte considerável de eleitores se utiliza das pesquisas para definir seu voto. O chamado voto útil. Uma pesquisa de intenção de voto que suscite desconfiança ou manipulações, concorre para descredibilizar essa ferramenta tão importante e pode comprometer o processo democrático.
Daí a necessidade do nosso olhar crítico, para nos informarmos sobre a idoneidade do instituto, o perfil do contratante da pesquisa e os métodos usados. Nem todos conseguem realizar uma investigação mais aprofundada sobre a estrutura de uma pesquisa de intenção de votos.
Alguns campos específicos devem chamar atenção: amostragem, formulação tendenciosa de perguntas, quem financia a pesquisa, delimitação geográfica, momentos críticos de divulgação e metodologia sem detalhes suficientes. O histórico do instituto é fundamental. Dito isso, um alerta. As pesquisas feitas com seriedade, por institutos idôneos, atendendo às exigências legais e às regras que conduzam a um resultado fiel da intenção do eleitor, representam o que é conhecido por “retrato do momento”. E, claro, não pode ser confundido como uma adivinhação ou antecipação do resultado das urnas. Se assim fosse, não precisaríamos de eleições. Bastava realizar uma disputa de institutos pesq
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