A reta final da eleição revela uma disputa resistente às turbulências, com pesquisas apontando pouca mudança e polarização ainda dominante
A campanha presidencial entrou na reta final carregada de acontecimentos, crises e intensa disputa nas redes sociais. Mas, para o advogado e analista político Arinilson Mariano (Rádio 93,3 – Portal CONTEXTO), todo esse movimento produziu efeito pequeno sobre o eleitorado.
A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal, o caso Banco Master e a repercussão dos dois episódios ocuparam diariamente o noticiário. Ainda assim, a fotografia das pesquisas permanece relativamente estável.
“Aconteceu muita coisa no Brasil nas últimas semanas, mas aconteceu muito pouca coisa nas pesquisas”, observa Mariano.
Polarização resiste
Os levantamentos recentes ajudam a explicar a avaliação. Na Quaest, divulgada em 21 de setembro, Lula aparece com 37% e Flávio Bolsonaro com 33% no primeiro turno. Augusto Cury tem 6%, Ronaldo Caiado, 4%, Renan Santos, 3%, e Romeu Zema, 1%.
Na Atlas/Bloomberg, divulgada nesta quarta-feira (23), Lula aparece com 45,8%, Flávio com 43,4%, Renan Santos com 4,5%, Cury com 2,1% e Caiado com 1,3%.
Os percentuais não podem ser comparados diretamente, porque os institutos utilizam metodologias diferentes. Para Mariano, entretanto, existe uma informação comum: a distância entre os dois primeiros e os demais candidatos. “A principal informação dessas pesquisas não está em saber quem ganhou um ponto ou quem perdeu dois. A polarização resistiu a praticamente todas essas coisas que nós citamos aqui”, afirma.
Segundo turno
Na avaliação do analista, parte do eleitor brasileiro parece antecipar, ainda no primeiro turno, uma escolha que formalmente deveria ocorrer apenas na segunda etapa.
É o chamado voto útil. O eleitor olha para os nomes que considera mais competitivos e, mesmo tendo preferência por outra candidatura, concentra seu voto para evitar um resultado indesejado. “Parece que há no Brasil uma espécie de antecipação psicológica do segundo turno”, explica.
Esse mecanismo cria um círculo difícil de romper. Quanto mais o eleitor acredita que apenas dois candidatos têm chances reais, mais concentra seus votos neles. E quanto mais concentra, mais reforça a percepção de que somente eles são competitivos.
Cury e Caiado ilustram situações diferentes. O primeiro perdeu espaço depois de apresentar crescimento durante a campanha. Caiado continua com desempenho reduzido no primeiro turno, embora apresente números mais elevados em simulações de segundo turno. “O problema de Caiado não parece estar na rejeição ao seu nome. O problema é conseguir chegar ao segundo turno”, avalia.
Voto endurecido
Outro aspecto chama a atenção do analista: os acontecimentos recentes parecem menos relacionados à mudança de posição do eleitor e mais ao endurecimento de escolhas já feitas. “A crise não está necessariamente mudando o voto, está endurecendo a decisão das pessoas”, afirma.
Na prática, um mesmo acontecimento pode ser interpretado de maneiras opostas por eleitores de campos diferentes. Em vez de produzir deslocamento, reforça convicções anteriores.
É também nesse ambiente que Mariano identifica o peso do temor em relação ao adversário. A eleição, em sua leitura, não está sendo movimentada apenas por novos projetos, mas também pela rejeição ao campo político oposto.

Goiás estável
Em Goiás, a fotografia também apresenta pouca movimentação. Pesquisa RealTime Big Data divulgada nesta semana aponta Daniel Vilela com 46%, Wilder Morais com 19% e Marconi Perillo com 18% dos votos válidos. A disputa pela segunda colocação aparece numericamente equilibrada, enquanto o primeiro colocado mantém distância dos demais.
Para Mariano, os cenários nacional e estadual guardam uma característica comum: a expectativa de grandes viradas ainda não encontrou correspondência nos números. “O cenário fez muito barulho, mas o eleitor se mexeu muito pouco. Faltam poucos dias para a eleição, mas muita gente já parece estar votando como se estivesse no segundo turno”, conclui.
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