As estatísticas eleitores de 2026 apresentam, para início de conversa, uma relevante contradição. As mulheres são maioria incontestável entre os 158.745.463 eleitores aptos a votar nas eleições de 2026 no Brasil. Elas somam 83.877.126, ou 52,84% do total.
Em comparação a 2022 cresceram 1,83%, enquanto os eleitores homens aumentaram 1,08%. O eleitorado masculino soma 74.845.001 votantes, o equivalente a 47,16% do total. Em Anápolis a vantagem para elas é ainda maior. Dos 287.893 eleitores aptos a votar no município, 54% são mulheres e 46% homens.
As mulheres eleitoras, mesmo em maioria numérica e de crescimento, com peso decisivo nas campanhas, cujos votos são disputados à unha por candidatos a todos os cargos e de todos os níveis de poder, ocupam espaço aquém do esperado nas chapas de candidatos.
Dos 10 candidatos a governador e vice-governador, apenas 3 são mulheres. A única a postular o governo é Luciana Amorim (UP). As outras duas disputam como vice: Ana Paula Rezende (PL) e Jacqueline Zolden (PSDB).
Na disputa pelo Palácio do Planalto, dos 26 candidatos possíveis a presidente e a vice, estão apenas 7 mulheres. Apenas 2 mulheres como cabeças de chapa: Samara Martins (UP) e Clariana Barão (DC).
E cinco candidatas a vice-presidente: Tenente da Reserva da PM, Dalma Morais (PRTB), Cleusa Santos (PCB), Vanessa Portugal (PSTU), Raquel Brício (UP) e Fabiana Torquato (DC). Os partidos considerados mais competitivos neste pleito (PT, PL, PSD, Novo, Missão), ignoraram a possibilidade de terem uma mulher em suas chapas.
Em Goiás, das 30 vagas possíveis para a disputa do Senado como cabeça de chapa e suplentes, aparecem até agora apenas 4 mulheres. Isaura Lemos (PSB), Gracinha Caiado (UB) e Cíntia Dias (PSOL), candidatas titulares a senadora, e Luciene dos Santos (PSB), 2ª suplente de Isaura Lemos.
Uma contradição dolorosa e injusta. A abertura de espaço para mulheres ainda é marcada por dificuldades, resistências e complexidades, mas todos os candidatos (especialmente homens), convocam as mulheres para votar e pedem votos a elas. Nas estratégias de marketing político, muitas das vezes, são chamadas apenas para cumprir o papel de “humanizar” os candidatos, frear rejeições e buscar captar o voto feminino.
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