Pelo menos dez anos antes de ter obras iniciadas, o Centro de Convenções de Anápolis (CCA) era sonhado pelo empresariado, os promotores de eventos e a sociedade em geral. E era prometido seguidamente em palanques eleitorais, como uma cláusula pétrea de alguns planos de governo. E era sempre usado, ou como promessa, ou como crítica a adversários políticos.
Em 2013 as obras finalmente começaram e, em 2018, as instalações físicas do CCA foram inauguradas. Entretanto, nesses oito anos, jamais foi usado em plenitude à finalidade para o qual foram construídas. Uma megaestrutura de 32,8 mil metros quadrados, que consumiu R$ 154,2 milhões do dinheiro do povo. Sem uso adequado, se tornou uma espécie de ‘morto-vivo’.
E, agora, depois de tanto tempo abandonado, consumindo alguns milhares de reais por mês em manutenção, finalmente a estrutura pode ganhar vida. No dia 3 de julho de 2026, o Governo do Estado oficializou a transferência da gestão do Centro à Prefeitura de Anápolis.
O prefeito Márcio Corrêa (PL) anunciou o desejo em transferir parte da administração para o prédio do Centro de Convenções. E, segundo ele, sem inviabilizar a essência daquela estrutura, que é receber convenções, seminários, feiras, encontros, workshops e outras atividades ligadas aos setores de desenvolvimento econômico e social.
Nesses quase dez anos após a inauguração, não houve instalação de equipamentos no CCA. Sempre ficou ocioso. Um espaço que carece de infraestrutura robusta de energia elétrica, além de opções de alimentação, água e internet adequadas para uma ocupação diária.
Em 2019 sediou a Feira da Indústria e Comércio de Anápolis e, em 2023, a entrega da Comenda Gomes de Souza Ramos. Mas, quem usa o espaço tem que contratar limpeza e geradores de energia. O Centro de Convenções jamais operou minimamente e tem problemas estruturais de funcionamento. Até o bonito letreiro de identificação foi retirado da frente do prédio.
O primeiro sinal claro de interesse em fazer toda essa estrutura ganhar vida foi dado agora, a partir da decisão do governo estadual em transferir a gestão das instalações ao Município. O setor produtivo e o poder público estreitam suas relações. Trabalham em conjunto para construir projetos que impulsionem o crescimento econômico, a geração de emprego e renda, e o desenvolvimento social.
É a este movimento que aqueles que se dizem defensores da cidade devem se somar. E, não, usar o Centro de Convenções, de novo, como instrumento de campanha eleitoral. O tempo atual exige evolução de mentalidade política. Desde 2018, pela primeira vez, alguém se interessou em fazer alguma coisa para que aquele ambiente possa funcionar de verdade. Uma pessoa perguntou: o que falta para que o Centro de Convenções funcione. A resposta é fácil. Falta gente!
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