Corredor natural para o escoamento de importantes produtos minerais e agropecuários, de há muito há um clamor generalizado para a abertura da segunda pista de rolamento
A necessidade de se criarem melhores condições de escoamento da produção mineral da antigo povoado de São José do Tocantins (transformada no município de Niquelândia em 1833), principalmente o níquel, despertou na governos Federal e Estadual, o interesse de se abrir uma rodovia mais estruturada, devido, principalmente, ao aumento do tráfego de caminhões, cada vez, mais pesados.
A exigência aumentou depois que grandes empresas, principalmente a Companhia Níquel Tocantins, mais tarde vendida à paulista Votorantim. A exploração mineral se estendeu e Niquelândia (hoje, com 35 mil habitantes) passou a ter fábricas de cimento e outros materiais muito empregados na construção civil, principalmente depois das obras de edificação de Goiânia (anos 40) e Brasília (anos 60|).
Até os anos 80 a rodovia não tinha qualquer pavimentação e no período das chuvas, formavam-se grandes e perigosos atoleiros, o que travava o trânsito de veículos automotores, com imensos prejuízos financeiros. Na época, o Governo Federal cedeu a administração da Rodovia ao Governo do Estado que fez altos investimentos para melhorar as condições da estrada. Tempos depois, o acordo foi desfeito e a rodovia, denominada BR 414, voltou ao domínio do, então, DNER (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem – hoje DNIT).



Estrutura
A BR-414, hoje, é definida como uma rodovia federal de ligação brasileira localizada inteiramente no estado de Goiás e que tem um papel fundamental tanto no escoamento industrial e agropecuário da região, quanto no acesso a importantes polos turísticos goianos. Ela tem, aproximadamente, 238 quilômetros de extensão total. Atualmente, o trecho entre Anápolis e o distrito de Assunção de Goiás (Vila Propício) está sob regime de concessão privada, administrado pela concessionária Ecovias do Araguaia. O controle de tráfego e policiamento da via é de competência da Polícia Rodoviária Federal. A rodovia interliga importantes municípios industriais, mineradores e históricos do interior goiano.
O seu trajeto passa diretamente por: Anápolis, ponto inicial da rodovia, sendo um dos maiores polos industriais e farmacêuticos do Centro-Oeste; Corumbá de Goiás, cidade histórica, muito procurada pelo turismo ecológico e de cachoeiras; Cocalzinho de Goiás, município que, também, serve de acesso principal para quem se desloca em direção à cidade histórica de Pirenópolis; Vila Propício, onde se localiza o distrito de Assunção de Goiás e, finalmente, Niquelândia, ponto final do trajeto da rodovia, conhecida por ser um dos principais polos de mineração e extração de níquel do país. A BR 414 funciona como um corredor logístico estratégico, pois conecta centros urbanos maiores como Goiânia, Brasília e Anápolis a regiões ricas em mineração e agronegócio, além de suportar um fluxo intenso de viajantes e turistas nos finais de semana e feriados.



Duplicação reivindicada
Devido ao crescimento demográfico das cidades cortadas pela BR 414, somado ao fluxo, cada vez maior, do segmento de turismo e produção minero/agropecuária, se multiplicam as reivindicações pela duplicação da rodovia. Embora, hoje, sob concessão de uma empresa particular, tem-se como certo que a duplicação se tornou uma exigência unânime. Mesmo com boa sinalização e pavimento em boas condições, muitos acidentes têm sido registados, vários deles com vítimas fatais. Ressalte-se que tal obra é prevista no contrato da Ecovias Araguaia com o DNIT, entretanto, dentro de um planejamento global (inclui-se a duplicação da BR 153) para, calculadamente, 30 anos.
E, lembrar que tal duplicação já foi objeto de estudos, proposta e promessa do Governo Federal. Nem mesmo o trecho considerado urbano da rodovia, no município de Anápolis, que, há anos, tinha projeto de duplicação, recebeu tal obra. Em dezembro de 2015, por exemplo, o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (DNIT) fez publicar a seguinte nota: “Nesta quarta-feira (16), o DNIT vai promover audiência pública para apresentar o projeto de adequação da BR-414 no perímetro urbano de Anápolis/GO. O segmento do km 431,04 ao km 438,80 passará por obras de duplicação e a restauração da pista existente. Estão incluídas a construção de pistas laterais e a implantação de itens de segurança.
O empreendimento prevê, também, a construção de viadutos, pontes, passarelas, retornos, baias para as paradas de ônibus, melhorias de traçado e greide da rodovia. As melhorias garantirão aos usuários mais segurança e conforto, além de facilitar o acesso aos bairros adjacentes à BR-414/GO e à Base Aérea de Anápolis (área de segurança nacional). A BR-414 tem ampla interferência no perímetro urbano de Anápolis, pois existem grandes núcleos populacionais em suas margens. Trata-se de uma via muito utilizada no trajeto para quem visita as cidades turísticas de Pirenópolis e Corumbá e também é um corredor logístico do Estado de Goiás. “A audiência ocorrerá nesta quarta-feira, às 19 horas, no Auditório da Associação Comercial e Industrial de Anápolis (Rua Manoel D’abadia, nº 335, Setor Central, Anápolis – GO)”. A reunião, de fato, aconteceu. Mas, não passou disso. Nunca mais se tocou no assunto.
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