Capital goiana aparece no ranking nacional de poluição sonora ao lado de São Paulo e Salvador, que lideram queixas de barulho no país
O barulho virou o principal problema ambiental das grandes cidades brasileiras. E Goiânia entrou nesse grupo. Segundo levantamentos do IBGE, da Organização Mundial da Saúde e de estudos de percepção sonora como o da Preply, a capital goiana figura entre as dez capitais mais barulhentas do Brasil, ao lado de São Paulo, Salvador, Rio de Janeiro e Belém.

O país não tem um ranking oficial único de decibéis por cidade como a ONU faz no mundo – onde Daca, em Bangladesh, lidera com 119 dB. Mas os dados nacionais se complementam. Em 2004, o IBGE apontou Belém como a capital mais ruidosa do Brasil. Em Salvador, pesquisa do Instituto Cidades Sustentáveis mostrou que 44% dos problemas ambientais citados são de poluição sonora. Já São Paulo é a única cidade brasileira entre as 20 mais barulhentas do mundo e é citada pela OMS ao lado de Nova York e Tóquio.
O que diz a lei
Pela Organização Mundial da Saúde, o limite para áreas residenciais externas é de 55 dB durante o dia e o ideal para áreas de tráfego e comércio é de 70 dB. Acima disso por tempo prolongado já há risco de perda auditiva. No Brasil, a norma técnica NBR 10151 da ABNT, usada como referência pelo CONAMA, é ainda mais rígida: 50 dB para áreas residenciais de dia e 40 dB à noite.
Na prática, as capitais operam muito acima disso. São Paulo registra média de 68,9 dB, Salvador realiza mais de 10 mil vistorias por ano só para barulho e Goiânia tem picos constantes de 65 a 75 dB em corredores como Avenida 85, T-63, Anhanguera e Região da 44.

O que mais incomoda em cada capital
São Paulo: trânsito, helicópteros, obras e baladas. É a campeã nacional.
Salvador: som automotivo, paredões e bares na orla. Maior percentual de queixas de barulho do país.
Rio de Janeiro: tráfego, funk em caixas de som e obras.
Belém: comércio popular e trânsito no Ver-o-Peso e Centro.
Belo Horizonte: Centro e Savassi, por trânsito e vida noturna.
Recife: Boa Viagem e Centro, por bares e trânsito.
Fortaleza: orla e Centro, com som alto.
Porto Alegre e Curitiba: trânsito e vida noturna, apesar da fama de organizadas.
Goiânia: a combinação de trânsito intenso, motos com escapamento aberto, obras em bairros novos e bares em Campinas, Bueno e Marista. O goianiense reclama, principalmente, de som automotivo, motos barulhentas e barulho de vizinhança.

O alerta vai além do incômodo. Segundo a OMS, a poluição sonora causa estresse, distúrbio do sono, hipertensão e perda auditiva. E Goiânia, com frota de mais de 1,2 milhão de veículos e crescimento espalhado, entrou de vez na lista das capitais que precisam levar o barulho a sério.
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