O hábito de mergulhar um alimento mordido novamente em um molho consumido por outras pessoas pode transferir bactérias da boca para o recipiente, segundo pesquisa publicada no Journal of Food Safety
O estudo investigou o chamado double-dipping, expressão em inglês usada para descrever a prática de morder um alimento e mergulhá-lo novamente no molho compartilhado. Os experimentos mostraram que esse comportamento aumenta a quantidade de bactérias presentes na preparação.
O que os pesquisadores descobriram
A pesquisa foi realizada por pesquisadores ligados à Universidade Clemson, nos Estados Unidos, e publicada em 2009. Os experimentos avaliaram a transferência de bactérias da boca para diferentes preparações.
Em uma das etapas, oito participantes mergulharam biscoitos salgados em água esterilizada, repetindo o procedimento três ou seis vezes. Os resultados mostraram maior presença de bactérias quando os alimentos eram mordidos antes de voltar ao recipiente.
Em outro experimento, os pesquisadores testaram molho de salsa, creme de queijo e calda de chocolate. A salsa apresentou uma transferência inicial maior de bactérias do que as outras duas preparações.
Um artigo publicado pelo British Medical Journal em 2008, que apresentou os resultados preliminares da investigação, mencionou uma estimativa de 50 a 100 bactérias transferidas por mordida em situações ocasionais de compartilhamento. O texto também relatou que três a seis mergulhos em condições experimentais transferiram cerca de 10 mil bactérias.
Esses números não representam uma contagem fixa para cada mergulho. A transferência depende de fatores como as características do molho e as condições em que ocorre o contato.
Transferência não significa doença
A presença de bactérias no molho não significa necessariamente que alguém ficará doente. O risco depende de fatores como o tipo de microrganismo, sua capacidade de causar infecção e a exposição a uma quantidade capaz de provocar doença.
Ainda assim, evitar que alimentos já mordidos voltem a um recipiente coletivo é uma medida simples de higiene, especialmente em festas, reuniões e refeições compartilhadas.
Uma alternativa é separar porções individuais do molho ou utilizar um utensílio limpo para servir cada pessoa.
Estudo sobre beijos também chamou atenção
A transferência de bactérias também foi investigada em um estudo publicado em 2014 na revista científica Microbiome. A pesquisa analisou 21 casais e estimou que um beijo íntimo de dez segundos poderia transferir, em média, cerca de 80 milhões de bactérias.
Para chegar ao resultado, os pesquisadores utilizaram bactérias marcadoras de uma bebida probiótica consumida por um dos participantes antes do beijo.
Os resultados, porém, não podem ser comparados diretamente aos da pesquisa sobre molhos, pois os experimentos utilizaram métodos e condições diferentes.
As duas investigações mostram que o contato entre pessoas e objetos compartilhados pode favorecer a transferência de microrganismos. Isso não significa, por si só, que haverá transmissão de doenças.
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