A falta de mais investimentos não seria a única causa da precariedade vivida na saúde pública no Brasil. Há mais coisas as serem consertadas. Dentre elas, questões estruturais. As cidades de portes médio acima, caso de Anápolis, têm sido as mais sobrecarregadas, pois além dos paciente locais, se veem na obrigação constitucional de atenderem a pacientes oriundos de outra regiões, inclusive de outros estados. É assim que estabelece o SUS (Sistema Único de Saúde).
Diante disso, como é sabido, a complexidade das demandas provoca o congestionamento na hora de se atenderem os pacientes, o que, nem sempre, acontece de maneira satisfatória. Para Anápolis vêm dezenas, talvez centenas de pessoas diariamente, em busca do socorro médico/ambulatorial e, até, cirúrgico, um direito, diga-se de passagem. Todavia, a capacidade de absorção dessa massa é insuficiente. Resultado: as reclamações se multiplicam nos veículos de comunicação, nos gabinetes dos vereadores, na porta da Prefeitura e em outros locais de acesso público.
A solução é tida como difícil, em que pese o esforço do poder constituído. Mas, quem paga impostos e o Brasil é um dos campeões mundiais em arrecadação de tributos, quer, e precisa, da assistência. Simples assim. Resta saber quando, e como, esses dramas vividos diária e constantemente por milhares de famílias serão atendidos por quem se propôs a assim o fazer. Os problemas são enumerados, conhecidos e divulgados. Mas, as soluções, nem sempre, são apresentadas. Culpa-se o orçamento destinado à saúde pública que, na avaliação de muitos, sofre com aportes abaixo da demanda real da população, agravado pela divisão de verbas e por impasses na aplicação de recursos. Apontam-se, ainda, falhas de gestão e logística, com problemas na distribuição de insumos, medicamentos e equipamentos que gerariam desperdícios ou desabastecimento nas unidades de atendimento.
Outra reclamação constante diz respeito ao déficit e à má distribuição de profissionais. Relata-se que há concentração de médicos e profissionais especializados nas grandes capitais e nas regiões Sul e Sudeste, em detrimento do Norte, Nordeste e, até, Centro Oeste, que o número de vagas de residência médica seria inferior ao total de formandos anuais, o que desestimularia a especialização e a fixação no interior. Não menos importante, seria a escassez de leitos, uma vez que muitas regiões, principalmente áreas de fronteira ou periferias das chamadas “grandes cidades”, carecem de leitos de internação e de unidades de terapia intensiva, além de outros recursos exames de imagem (tomografia computadorizada, ressonância magnética e, até, raios-x.
Outra grande demanda seria a espera prolongada para consultas com especialistas, exames, diagnósticos e cirurgias eletivas que, em muitas das vezes, agrava o quadro clínico dos pacientes. Também se atribui tal falha no envelhecimento da população brasileira, ou seja, o aumento da expectativa de vida e a mudança na pirâmide etária exigem maior foco em doenças crônicas (como hipertensão e diabetes) e cuidados geriátricos. Como de resto, o recrudescimento de velhas patologias como as arboviroses (dengue, Chikungunya, Zica vírus sarampo, etc.) e o impacto de sequelas da pós-pandemia da covid-19 sobrecarregam as redes de urgência e reabilitação. É um caso (grave) para os futuros governantes pensarem. O quanto antes, melhor.
Junte-se aos grupos de WhatsApp do Portal CONTEXTO e fique por dentro das principais notícias de Anápolis e região. Clique aqui.
