A disputa eleitoral brasileira escancara um paradoxo curioso nas redes sociais: figuras de estilos explosivos e polêmicos acabam funcionando, na prática, como cabos eleitorais involuntários da campanha governista, ainda que venham de campos políticos opostos.
De um lado, a engrenagem digital comandada por aliados como o deputado André Janones (PT-MG) opera como uma máquina de guerra virtual. Munido de grupos de mensagens e de uma estratégia de confronto diário, o grupo cumpre o papel de inflamar a base e pautar o debate digital em massa, blindando o projeto governista e ditando o ritmo da militância na internet.
Do outro lado, personagens como Pablo Marçal entram na equação com um efeito colateral explosivo para a oposição. Com um estilo agressivo, embates constantes com a imprensa e uma postura de enfrentamento permanente, Marçal conquista uma rejeição estrondosa junto ao eleitorado moderado. Para analistas, esse comportamento radical afasta os votos de Centro que a Direita tradicional precisa conquistar, servindo de munição perfeita para a campanha de Lula colar a pecha de instabilidade e radicalismo nos adversários.
No fim das contas, a polarização digital mostra que o barulho na internet nem sempre se traduz em votos úteis. Enquanto Janones usa a estratégia para galvanizar apoiadores, fica evidente que o comportamento explosivo de Marçal mais prejudica do que soma para o seu próprio candidato. O resultado é um tabuleiro onde os excessos terminam, paradoxalmente, por pavimentar o caminho de quem está no poder.
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